Boa-noite, cariocas! Sim, sou eu, a vossa .Chique mais atrevida do país, Fafa Carreira! Estava eu a suspirar por não ter um lugar .Chique e .Fashion para eu e as minhas amigas Ba e Fifi irmos até que, quando vejo no correio um folheto cor púrpura, como eu adoro, a noticiar a abertura de um novo bar / pub: Townsend. E qual era a tagline?, perguntam-se vocês. "Todos os chiques vêm parar a Townsend". Amei, simplesmente. Vou ver se eu hoje à noite vou com a Bá, a Fifi, e aquela cadela domesticada, Sílvia, para lá. Engatarei alguém, prometo! Agora vá, beijo com .Glamour para toda a cidade de Cascais (e os meus leitores, obviamente).
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domingo, 18 de novembro de 2007
Townsend: o novo Bar .Chique
Boa-noite, cariocas! Sim, sou eu, a vossa .Chique mais atrevida do país, Fafa Carreira! Estava eu a suspirar por não ter um lugar .Chique e .Fashion para eu e as minhas amigas Ba e Fifi irmos até que, quando vejo no correio um folheto cor púrpura, como eu adoro, a noticiar a abertura de um novo bar / pub: Townsend. E qual era a tagline?, perguntam-se vocês. "Todos os chiques vêm parar a Townsend". Amei, simplesmente. Vou ver se eu hoje à noite vou com a Bá, a Fifi, e aquela cadela domesticada, Sílvia, para lá. Engatarei alguém, prometo! Agora vá, beijo com .Glamour para toda a cidade de Cascais (e os meus leitores, obviamente).às 12:42 2 comentários .Chiques
Autora .Chique: Fafa
sábado, 17 de novembro de 2007
A minha aventura .Chique (Terceira - Mas não Última - Parte)
Antes de terminar esta confissão .Chique, queria agradecer a todos os leitores sem grana, como os cariocas proferem, a todos os visitantes deste espaço, do hi5, a todos os simpáticos que adicionam no messenger, a todos que me enviam mail a pedir mais partes desta confissão. Temo que seja a peúltima, tentei recordar-me de todos os pormenores para vocês precisamente gostarem. Um beijo .Glamouroso para todos.
A minha tia chique chamava-se Helena, era a mais nova das três irmãs da parte maternal. Eu admirava-a tanto. Escrevia romances eróticos dos mais deslumbrantes que podiam haver e adorava dançar. Morava na parte alta de Madrid, repleta de Glamour, digo-vos. Sempre que ela voltava para Cascais, nem que fosse por uma semana, falar com ela sempre me dava um enorme prazer. A decisão do meu pai, chocante e precipitante só começou a ter reacções no dia seguinte. Os empregados riam-se quando passavam pelo meu quarto na manhã. Estava escondida debaixo dos lençóis, sem querer aparecer.
Então, totalmente despenteada, senti um peso na cama. Comecei a pontapear o peso, deveria ser um peluche que tinha caído do tecto.
- Estás-me a magoar, querida. - Era a minha tia Helena.
- Tia!
Saí de baixo dos lençóis molhada de tanto chorar com os olhos inchados. Precisava de alguém para abraçar e assim o fez. Tia e sobrinha abraçaram-se na cama desfeita. Um momento tão íntimo, tão jovial, tão... chique.
- Que foste fazer, Fá? - Vocês querem alguém mais elegante?
- Tia, eu não queria!
- Conta-me tudo...
- Foi a Luiza que me obrigou a ir a um pub horrendo e un-chique, e depois veio um daqueles homens que parecem ursos tocar-me! Ele levou-me até o carro e pronto... - Menti.
Mentir sempre me dava um nó na garganta e Helena já sabia disso e sorriu para mim.
- Sou a tua confidente. Conta-me tudo que eu guardarei segredo.
E lá lhe contei. Não era exagerado dizer, assim, que ela era a minha tia favorita.
* * *
.A minha tia
.A minha tia
A minha tia chique chamava-se Helena, era a mais nova das três irmãs da parte maternal. Eu admirava-a tanto. Escrevia romances eróticos dos mais deslumbrantes que podiam haver e adorava dançar. Morava na parte alta de Madrid, repleta de Glamour, digo-vos. Sempre que ela voltava para Cascais, nem que fosse por uma semana, falar com ela sempre me dava um enorme prazer. A decisão do meu pai, chocante e precipitante só começou a ter reacções no dia seguinte. Os empregados riam-se quando passavam pelo meu quarto na manhã. Estava escondida debaixo dos lençóis, sem querer aparecer.
Então, totalmente despenteada, senti um peso na cama. Comecei a pontapear o peso, deveria ser um peluche que tinha caído do tecto.
- Estás-me a magoar, querida. - Era a minha tia Helena.
- Tia!
Saí de baixo dos lençóis molhada de tanto chorar com os olhos inchados. Precisava de alguém para abraçar e assim o fez. Tia e sobrinha abraçaram-se na cama desfeita. Um momento tão íntimo, tão jovial, tão... chique.
- Que foste fazer, Fá? - Vocês querem alguém mais elegante?
- Tia, eu não queria!
- Conta-me tudo...
- Foi a Luiza que me obrigou a ir a um pub horrendo e un-chique, e depois veio um daqueles homens que parecem ursos tocar-me! Ele levou-me até o carro e pronto... - Menti.
Mentir sempre me dava um nó na garganta e Helena já sabia disso e sorriu para mim.
- Sou a tua confidente. Conta-me tudo que eu guardarei segredo.
E lá lhe contei. Não era exagerado dizer, assim, que ela era a minha tia favorita.
***
.O dia da Partida
A semana passou, no dia da partida estava eu a arrumar as minhas cinco malas de pele de leopardo para a viagem quando suspirei. A minha irmã Luiza olhava-me na porta. Quando me apercebi de tal feito tentei controlar-me, e respirei fundo, numa lufada de ar chique..O dia da Partida
Nos dias que se seguiram atemorizava-me a ideia do aborto, achava un-chique e muito constrangedor. Mal olhava para a minha família, sobretudo para a minha irmã Luíza que parecera muito desiludida comigo (talvez por ter transado, como dizem os cariocas, mais cedo do que ela esperava). Mas pouco me importei também. Quem precisa de irmãs quando se tem um mínimo de Fashion? Mas vi que esse mínimo ia desaparecer, porque quem faz um aborto, li numa revista, perde o sentido de chiquesa mais cedo do que esperam. Estava tão assolada.
- Que fazes aqui? - Perguntei.
- Ai, Fá... admiro só o que vai ser o meu quarto.
Choquei-me. A minha irmã tinha um quarto dez centímetros mais pequeno do que o meu, como podia ela dizer tamanha estupidez? Numa semana, o mais tarde, voltaria a Cascais!
- Perdoa-me? - Interroguei.
- Sim. Minha querida, achas mesmo que depois de tirares o teu filho dessa coisa repugnante vais voltar para o Glamour de Cascais?
- Tenho a certeza!
Desconhecia esta faceta de Lu. Como podia ela estar a ser tão lambisgóia?
- Pois bem, nem tentes voltar, aviso-te. - Dizia ela caminhando em passos de uma quarentona, sabem?, como sou eu, actualmente.
- Sua...!
Selvagem. É o que designa o meu comportamento na altura. Como uma gorila, saltei-lhe em cima, comecei-lhe a puxar os cabelos e dei-lhe um estalo. Luiza retribuiu com beliscões nos meus seios, oh, como doía!
Naquele preciso momento uma empregada un-chique passou pelo corredor, olhou e pôs a mão à boca de tanto se rir.
- Ó Gertrudes, anda cá ver isto! - Chamou.
Gertrudes, com o aspirador na mão, veio ao corredor e riu-se alto com aquela empregadita de baixo nível.
As duas empregadas chegaram ao chão, imaginem, ao chão da minha casa!, a soltar gargalhadas rodeadas de um hálito que só Deus sabe onde se formou. Entretanto, a minha irmã continuava a agir como uma macaca e eu a imita-la. Mas que vergonha tenho eu de estar aqui deitada na minha cama a escrever isto, a lembrar-me quão ignóbil estava a ser.
Quando as duas empregaditas se levantaram, houve uma que foi a correr a chamar pelo senhor Gregório, meu pai. Não tardou que este viesse com a minha mãe e a minha tia.
Que humilhação! Queria parar, é uma certeza chique, mas não podia, não podia deixar-me vencer por aquela ratazana do esgoto que se dizia minha irmã. É que, sabem?, quem dá a última estalada é a que ganha. E estão-me a ver com cara de un-chique perdedora? Três letras, uma palavra: não.
Eu e a minha irmã ficamos paradas, agarrando os cabelos de uma e outra, enquanto que, com lágrimas a teimarem sujar a maquilhagem, via a minha tia Helena chocada e desiludida.
- Tia...
Mas eis que, com a tristeza a voar como borboletas nos corações da família, Luíza arranca-me o coral de pérolas.
- Sua...!
Macaca. O animal que estava a ser. Belisquei-lhe o mamilo, saltei para cima da sua barriga e comecei a esganar a minha própria irmã. O meu pai, furibundo, em passos gigantes e altos, aproximou-se.
- FÁTIMA! - Gritou. Gritou com um grito poderoso. Gritou de tal maneira que ficaram todos como que petrificados. Gritou.
Ele tinha afastado cada uma e, caída no chão, olhei para as pérolas espalhadas pelo chão. Porquê sofrer mais, perguntei-me?
Levantei-me, penteei-me. Peguei no baton guardado na minha mala e pintei os lábios. Com todos de boca aberta, saí do quarto e desci as escadas da casa, enquanto a minha tia me seguia. Já com a porta aberta saí da minha residência e, antes de entrar no carro, olhei em volta (um bonito dia de sol; um bonito jardineiro a "brincar", como os un-chiques dizem, com uma empregada da cozinha atrás dos arbustos; uma galinha a voar do telhado) e, respirando fundo, disse:
- Adeus, Cascais.
***
.Despedidas
.Despedidas
Estava na estação de comboios com a minha tia, desanimada mas confiante de que tudo iria correr bem. Sentada na cadeira, com as pernas entrecruzadas, esperava que o comboio chegasse.
- Olhó télémóble! - Gritou um muçulmano que se dirigia para minha pessoa.
- Credo, senhor.
- Num é credo! É té... repita comeigo... té-lé...
- Poupe-me.
Cheirava mal. É naquele momento que avisto duas silhuetas, elegantes, esbeltas. Bá. Fifi.
- Querida! - Gritaram em uníssono as minhas duas melhores amigas enquanto corriam para me dar um abraço. A minha tia olhou de lado.
- Darlings! - Berrei, histérica e abracei-as com lágrimas nos olhos.
Naqueles minutos passei o tempo a falar com elas, enquanto que o muçulmano un-chique nos olhava, atento. Parecia um daqueles, credo, que nos vai cuspir a qualquer momento na nossa cara tratada.
O comboio tinha chegado e tivemo-nos de despedir.
- Bá. Fifi.
- Fafa.
E choramos as três, prometendo que nunca nos separaríamos. Quando o senhor que chamava os passageiros já batia com o pé no chão eu e a minha tia entramos no comboio onde os fedorentos se dirigiam para o lado esquerdo e os chiques, para o direito. Fui, obviamente, para o direito.
Na janela via Bá e Fifi de mãos dadas a chorar, e eu esbocei um sorriso forçado, para elas não se sentirem tristes. Mas estava despedaçada por dentro.
Sentei-me, de pernas cruzadas, e já o comboio andava a uma velocidade un-chique e olhava a minha vida a passar-me à frente. Literalmente.
Joaquim estava a dizer-me adeus, do lado de fora.
***
.Terror
.Terror
Após o choque passar, não sabia eu que um maior estava para vir. Quem leu os jornais do dia seguinte pode confirma-lo. Estava a passar pelo norte de Évora, onde a Natureza predominava. Do lado de fora corriam bois, vacas, galinhas, enfim, un-chiques animais. Também se viam várias montanhas onde agora pessoas denominadas como "Pastores" caminhavam pelas flores.
- Enfim...
Mas eis que o inesperado acontece! Tão rápido como um copo de cristal a partir-se, o comboio para esganiçadamente, ouço berros do outro lado do compartimento; a minha tia acorda sobressaltada; vejo uma galinha na janela.
- Socorro! - Grito.
O caos. Os un-chiques entraram assustados na minha carruagem, os chiques abrem os guarda-chuva para afasta-los. Se fosse melhor, diria que estávamos em pleno ambiente da terceira guerra mundial. Então o comboio parou.
- Saiam todos. Já! - Ordenou o motorista suadamente un-.Chique que avizinhava um acidente de comboio que ia contra uma carruagem de animais de quinta.
A minha tia, assustada, correu para a porta em andamento e saltou, com a saia a saltar-lhe como a .Chique da Monroe. Mas o seu destino não seria tão .Chique. Morreria ela?! Como iria sobreviver? Saltava também ou deixava embater com as galinhas?! .Terror
- Enfim...
Mas eis que o inesperado acontece! Tão rápido como um copo de cristal a partir-se, o comboio para esganiçadamente, ouço berros do outro lado do compartimento; a minha tia acorda sobressaltada; vejo uma galinha na janela.
- Socorro! - Grito.
O caos. Os un-chiques entraram assustados na minha carruagem, os chiques abrem os guarda-chuva para afasta-los. Se fosse melhor, diria que estávamos em pleno ambiente da terceira guerra mundial. Então o comboio parou.
- Saiam todos. Já! - Ordenou o motorista suadamente un-.Chique que avizinhava um acidente de comboio que ia contra uma carruagem de animais de quinta.
A minha tia, assustada, correu para a porta em andamento e saltou, com a saia a saltar-lhe como a .Chique da Monroe. Mas o seu destino não seria tão .Chique. Morreria ela?! Como iria sobreviver? Saltava também ou deixava embater com as galinhas?! .Terror
às 09:29 0 comentários .Chiques
Autora .Chique: Fafa
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
A minha aventura .Chique (Segunda Parte)
"Quando uma mulher loira tem de parar para pensar, um incêndio começa", foi o que me disse a minha irmã quando decidi fazer o teste de gravidez. Era dia 26, e todos os dias 26 de Dezembro significam uma coisa: compras pós-Natal. Eu e Luiza, minha irmã, decidimos primeiro comprar algumas roupas e depois ir ter à mais abominável e discreta farmácia de Cascais de nome "Farmácia".
- Deus nos livre se tiveres grávida. - Disse-me ela, e assenti. - Apanhas para toda a vida vês que tens um aborto espontâneo.
- Credo, Lu.
Na noite de Natal não tinha conseguido dormir. Lembrava-me bem de estar toda a noite a ouvir o tique-taque do relógio de cuco da sala estendida nos lençóis a pensar que se estivesse grávida, o meu pai chique, de nome Gregório, iria enfurecer. "Cucu", fez o relógio e olhei para a lua. Estava coberta de nuvens, que chatice. Voltei para a cama e dormitei.
Quando minha irmã não estava afim de me esperar, expressão bem conhecida pelos cariocas, estava um homem a olhar para mim de óculos e a rir-se. Era o farmacêutico na casa dos vinte anos de nome Flávio.
- Que desejam?
- Um preservativo - respondeu Luiza.
- Não! Um teste de gravidez! - todos olharam para mim.
Sabem, quando se vive em Cascais, e quando todos os chiques conhecem todos os un-chiques, uma cidade linda pode-se tornar traiçoeira devido à sua povoação. Todos falam da vida de todos, coisa de tardes de chá das 3, bisbilhutar. Seria este sexy e chique Flávio, um bisbilhoteiro?
- Certo, aguardem um momento.
Enquanto esperamos, meditei. Seria naquele momento... estivesse grávida, a minha vida acabava ali mesmo.
- Porque disseste que querias um pre.. um pre...
- Preservativo.
- Isso. Porquê? E o que é isso?
Fomos interrompidas por Flávio. - Aqui têm.
- Óptimo. Adeus.
Quando nos íamos embora, o homem gritara alguma coisa que não entendi bem, mas lá fomos para a casa de banho mais próxima. Detestava entrar em WCs públicos. Cheiravam a rato morto, e os ratos mortos cheiravam pior naquela casa-de-banho. Os espelhos estavam partidos, o chão inundado de água amarela - seria lixívia PopGold?
- E agora?
- Abre a caixa, que coisa! - gritou-me ela.
Abri e uma esferográfica saiu de lá. O que era aquilo?
- Que é isto?
- É o teste de gravidez minha grande burra!
- Como se faz? Pego nele e já sei se estou grávida?
- Não, Fá. Por amor da Santa! Tens de urinar para cima disso e passados três minutos sabes se estás ou não grávida!
- Que coisa nojenta!
- Eu ajudo-te, se quiseres - disse-me ela.
De repente, uma "mulher da vida" saiu do seu compartimento deixando três cigarros na água da sanita, o que não me importei e entramos as duas.
- Ok... força!
Era a primeira vez que urinava de pé. Deitei umas gotas o que depois fiz pressão para não continuar mais, em sucesso.
- Agora espera.
Passaram-se dois minutos já eu estava a roer as unhas de tanta emoção. Um estrondo ouviu-se, então.
- Ai, credo!
- Polícia judiciária!
- Ai, creedo!
Luiza murmurou: "segura aqui" e deu-me o teste de gravidez. Luiza saiu do compartimento e fiquei escondida, a ouvir a conversa.
- Que se passa? - disse ela.
- Procuro por Fátima e Luíza Carreira.
- Sou a irmã!
- Está presa por assaltar uma farmácia.
- Perdoe-me?
Escondida e aflita um pé arrombou a minha porta. Gritei esganiçadamente por ver um homem a ver-me vestida e gritei por socorro.
- Chefe, a Fátima está aqui.
- Prende-a também - gritou ele.
- Espere, por amor de DEUS! Deixe-me ver o teste!
O polícia pegou no teste e proferiu:
- Os seus pais quando lhe pagarem a fiança terão muito gosto de ver isto.
- Ai que alivio...
- Será?
- Diga-me o senhor.
- Deus nos livre se tiveres grávida. - Disse-me ela, e assenti. - Apanhas para toda a vida vês que tens um aborto espontâneo.
- Credo, Lu.
Na noite de Natal não tinha conseguido dormir. Lembrava-me bem de estar toda a noite a ouvir o tique-taque do relógio de cuco da sala estendida nos lençóis a pensar que se estivesse grávida, o meu pai chique, de nome Gregório, iria enfurecer. "Cucu", fez o relógio e olhei para a lua. Estava coberta de nuvens, que chatice. Voltei para a cama e dormitei.
Quando minha irmã não estava afim de me esperar, expressão bem conhecida pelos cariocas, estava um homem a olhar para mim de óculos e a rir-se. Era o farmacêutico na casa dos vinte anos de nome Flávio.
- Que desejam?
- Um preservativo - respondeu Luiza.
- Não! Um teste de gravidez! - todos olharam para mim.
Sabem, quando se vive em Cascais, e quando todos os chiques conhecem todos os un-chiques, uma cidade linda pode-se tornar traiçoeira devido à sua povoação. Todos falam da vida de todos, coisa de tardes de chá das 3, bisbilhutar. Seria este sexy e chique Flávio, um bisbilhoteiro?
- Certo, aguardem um momento.
Enquanto esperamos, meditei. Seria naquele momento... estivesse grávida, a minha vida acabava ali mesmo.
- Porque disseste que querias um pre.. um pre...
- Preservativo.
- Isso. Porquê? E o que é isso?
Fomos interrompidas por Flávio. - Aqui têm.
- Óptimo. Adeus.
Quando nos íamos embora, o homem gritara alguma coisa que não entendi bem, mas lá fomos para a casa de banho mais próxima. Detestava entrar em WCs públicos. Cheiravam a rato morto, e os ratos mortos cheiravam pior naquela casa-de-banho. Os espelhos estavam partidos, o chão inundado de água amarela - seria lixívia PopGold?
- E agora?
- Abre a caixa, que coisa! - gritou-me ela.
Abri e uma esferográfica saiu de lá. O que era aquilo?
- Que é isto?
- É o teste de gravidez minha grande burra!
- Como se faz? Pego nele e já sei se estou grávida?
- Não, Fá. Por amor da Santa! Tens de urinar para cima disso e passados três minutos sabes se estás ou não grávida!
- Que coisa nojenta!
- Eu ajudo-te, se quiseres - disse-me ela.
De repente, uma "mulher da vida" saiu do seu compartimento deixando três cigarros na água da sanita, o que não me importei e entramos as duas.
- Ok... força!
Era a primeira vez que urinava de pé. Deitei umas gotas o que depois fiz pressão para não continuar mais, em sucesso.
- Agora espera.
Passaram-se dois minutos já eu estava a roer as unhas de tanta emoção. Um estrondo ouviu-se, então.
- Ai, credo!
- Polícia judiciária!
- Ai, creedo!
Luiza murmurou: "segura aqui" e deu-me o teste de gravidez. Luiza saiu do compartimento e fiquei escondida, a ouvir a conversa.
- Que se passa? - disse ela.
- Procuro por Fátima e Luíza Carreira.
- Sou a irmã!
- Está presa por assaltar uma farmácia.
- Perdoe-me?
Escondida e aflita um pé arrombou a minha porta. Gritei esganiçadamente por ver um homem a ver-me vestida e gritei por socorro.
- Chefe, a Fátima está aqui.
- Prende-a também - gritou ele.
- Espere, por amor de DEUS! Deixe-me ver o teste!
O polícia pegou no teste e proferiu:
- Os seus pais quando lhe pagarem a fiança terão muito gosto de ver isto.
- Ai que alivio...
- Será?
- Diga-me o senhor.
***
Até a noite do dia 26 estive sem comer, sozinha numa cela escura a cheirar mal, onde a minha irmã só sabia estragar as unhas. Definitivamente, não estava tudo numa boa, como diriam os cariocas. O som das chaves do polícia era ensurdecedor. Este, só se sabia rir com o colega e constantemente ouvia as palavras "grávida" e "cabra".
Faziam as nove horas da noite quando uma porta abriu e o meu pai entrou acompanhado de um polícia.
- Pagaram-lhes a fiança, Fátima e Luiza Carreira. E aqui têm o teste.
Era o momento mais embaraçador da minha vida. O meu pai chocado, eu sem saber a resposta do teste que parecia uma esferográfica e de repente a minha vida tinha parado ali mesmo, com uma mosca a voar na cabeça do polícia que se ria.
Faziam as nove horas da noite quando uma porta abriu e o meu pai entrou acompanhado de um polícia.
- Pagaram-lhes a fiança, Fátima e Luiza Carreira. E aqui têm o teste.
Era o momento mais embaraçador da minha vida. O meu pai chocado, eu sem saber a resposta do teste que parecia uma esferográfica e de repente a minha vida tinha parado ali mesmo, com uma mosca a voar na cabeça do polícia que se ria.
- Filha... - Começou o meu pai, ainda de boca aberta. Passou-se alguns instantes e não continuou... seria algo do género "explica-te, dear" mas impossível era-lhe dizer.
Já não estava na prisão, estava na sala de estar onde as empregadas ouviam a discussão do outro lado da porta. O meu pai estava de pé, eu estava sentada, a minha irmã estava na poltrona a olhar para os seios e a minha mãe escondia a cara com o cigarro.
Eu, Fátima Carreira, estava a chorar. A minha vida estava destruída, não teria o futuro que desejara (.Glamour, .Casamento, .Jóias). E não havia nada que pudesse reparar o erro, estava completamente arrasada.
O meu pai andou para a direita. Depois para a esquerda. Depois para a direita. E depois para trás.
- Credo, Pai.
- Cala-te!
Por alguns momentos, o Mundo parecia ter parado. A minha irmã estava em choque (mas devia ser porque o seio esquerdo estava desproporcional ao outro) e a minha mãe fazia para não desatar a chorar.
- A tua tia... - Começou o meu pai. - ...está de estadia por esta semana aqui em Cascais. Ela voltará para Espanha depois. Tu vais com ela.
Olhei para ele, confusa.
- Porquê?
- Cala-te!
- Desculpa. Porquê?
- Porque vais abortar.
Naquele momento, o Mundo parou mais uma vez.
Eu, Fátima Carreira, estava a chorar. A minha vida estava destruída, não teria o futuro que desejara (.Glamour, .Casamento, .Jóias). E não havia nada que pudesse reparar o erro, estava completamente arrasada.
O meu pai andou para a direita. Depois para a esquerda. Depois para a direita. E depois para trás.
- Credo, Pai.
- Cala-te!
Por alguns momentos, o Mundo parecia ter parado. A minha irmã estava em choque (mas devia ser porque o seio esquerdo estava desproporcional ao outro) e a minha mãe fazia para não desatar a chorar.
- A tua tia... - Começou o meu pai. - ...está de estadia por esta semana aqui em Cascais. Ela voltará para Espanha depois. Tu vais com ela.
Olhei para ele, confusa.
- Porquê?
- Cala-te!
- Desculpa. Porquê?
- Porque vais abortar.
Naquele momento, o Mundo parou mais uma vez.
às 12:30 5 comentários .Chiques
Autora .Chique: Fafa
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
A minha aventura .Chique
Olá queridos, daqui a Fátima, Fafa para os meus leitores. Venho assim a minha primeira postagem, e precisamente vou-vos contar uma experiência que nunca esqueci, memorável simplesmente. Acho imprescindível partilhar momentos tristes, alegres ou fashions convosco, coisa que nos meus 40 anos de vida que pareceram 20 tem dado para contar muita coisa.
Memorável porquê? O primeiro avanço, a primeira mais importante decisão, aquilo que chamam de relacionamento sexual / sexo / transa para os cariocas, aconteceu comigo numa noite que jamais esquecerei. Como todos o descrevem, é único, especialmente que quando se chega aos miseráveis e escassos milésimos de segundo que são ... enfim, são o que são. Mas não, isto não seria mais do que uma bela noite passada numa reles e ratada cama se não tivesse esquecido de pôr o preservativo / camisinha para os cariocas. Não me censurem, naquela altura os acompanhantes eram tesos como tudo, ou faziam uns de madeira ou punham pano, coisa repugnante. Claro que optei por tomar o risco de poder engravidar. E eis que o destino vira-se contra mim e Carolina Salgado Carreira, minha filha, nasce nove meses depois. Agora, a minha história.
19 de Dezembro de 1987. O vento uiva, faz frio como tudo. Agasalho-me para ir ao Madona's Cascais, o pub mais próximo, por ordem da minha irmã que fez uma aposta comigo. Sou uma jovem estudante de medicina; um pouco tímida que se isola a ler na varanda da casa dos pais, ou que vai comer um gelado de vez em quando com as amigas. Ir a pub era, como deu para ver, para mim um pecado. Era um pouco ingénua, é o que dá não estar informada nos anos 80 onde os hippies dançam ABBA. Tinha já ouvido falar de sexo, a minha irmã às vezes trazia amigas que comentavam o relacionamento no quarto da dita cuja, onde estava eu a espreitar na porta, mas nunca imaginei que seria naquela noite, naquela fria noite, que descobriria o sexo (o acto, claro).
Entrei, está a dar uma música jazz que homens gordos repugnantes a suar e a cheirar a porca no espeto abafam a melodia. Algumas "mulheres da vida", algumas amigas da minha mãe, conversam e fumam no canto. Decido ir para o balcão, sentando-me no meio de um casal de velhos que discutem o preço da vodka. Vem ter comigo um homem que pergunta o que quero eu e, envergonhada, abaixo a cabeça e murmuro "para já, não quero nada". Mas eis o momento que, quando o homem já se ia embora, uma voz grave e calorosa profere "arranja-lhe uma cerveja, por minha conta".
O ambiente é propício, fumo proveniente da nicotina vaporizada que julgo ser rosas a serem queimadas, espalha-se pelo pub, onde o cheiro a delito, perdição e pecado entranha-se pelas narinas daquelas pessoas imundas. Um homem, um maduro homem na casa dos quarenta, ri-se com os poucos dentes amarelos como o Sol que tinha, um sorriso mágico. Olhos protegidos por uma floresta de pêlos que faziam de sobrancelhas, olhos negros, negros como um corvo, negros como um coração quando cai em perdição. Lábios carnudos, grossos, a receberem a deliciosa e fresca cerveja preta, lábios com crosta, lábios que me deixavam cair em tentação. Ele era um homem, um homem que tinha sido o mais gentil até aquele momento, um homem que tinha-me oferecido uma cerveja, por conta dele. Seria generoso, estaria a ver-me como uma pobre coitada sem dinheiro e não como Fátima Carreira, filha de linhagem de família rica? Ou estaria ver uma jovem rapariga ingénua pronta a ser atacada? Não.. ele não poderia ser o Lobo Mau. Ele era perfeito, supremo, ele era um homem.
Aquele segundo, a pensar todas estas coisas, não me apercebi que estava a fazer uma coisa que fazia em situações humilhantes (como, por exemplo, chorar com maquilhagem)... eu estava a corar como uma porca a rir.
- Como te chamas? - o bafo dele era encantador.
Não respondi, fiquei a olhar para ele como uma lambisgóia un-chique, enfim, uma vergonha! Mas depois, ele pestanejou e vi-me obrigada a cair na real, como os cariocas dizem.
- Chamo-me... chamo-me Fá.. Fáfá. - Nunca pensaram, em cinco minutos após terem dito alguma coisa, que podiam ter dito outra?
- Fáfá... está bem. - e arrotou.
Os homens eram assim, porcos, imundos, não eram cavalheiros. Cascais era uma cidade que nunca dormia, mas para os reais cavalheiros, às oito da noite era xixi e cócó e nada de sair à noite encantar meninas. A cerveja lá chegou, seria a primeira vez a beber tamanha porcaria. O vinho do Porto, por exemplo, era a bebida que eu mais apreciava. Mas aquela cerveja preta olhava-me nos olhos, com os cantos cheios de marcas de lábios onde já os homens, os frangos do espeto, tinham posto lá a sua boca.
Bebi. O homem olhava-me, com aquele olhar, com aquele olhar mágico. Pestanejou e eu pestanejei. Foi então que, ao sabor da quente cerveja, ele pôs a sua mão suja de terra e carvão com dedos grandes e gordos no meu joelho. Um arrepio de emoção subiu-me até a espinha e forcei para não fazer movimentos bruscos. Sem saber porquê, arrastei a minha preciosa e delicada mão para expulsar a dele que me fazia peso e toquei-lhe.
Olhamos, então, um para o outro. A mão dele subiu e eu levantei-me.
- Chamo-me Joaquim.
- Chamo-me Fáfá. - não tinha gaguejado!
- Já tinhas dito o teu nome...
- Eu sei...
E rimo-nos a noite toda. Contamos piadas, bebemos cerveja. Horas passaram, sabia já a vida do homem de trás para a frente, da frente para trás, até que resolvemos sair do pub, pois já as quatro da manhã se avizinhavam.
- Queres boleia?
- Por favor.
De repente, olhei aquele homem com a camisa a querer-lhe sair do peito peludo e nojento, e vi um homem que tinha ido de porco para encantador. Estaria eu, a ficar apaixonada? Estaria eu, uma rapariga saída de um colégio de freiras, a ficar apaixonada por um homem com o dobro da minha idade? Joaquim levou-me para o seu carro, falamos durante a viajem sobre o encontro e ele levou-me para a praia. Parou junto dos rochedos, desligou o veículo.
- Isto é a praia - disse, sem querer mostrar entusiasmo, e a falar num tom de falsa surpresa.
- Sim, é a praia.
Joaquim beijou-me. Enquanto me beijava o furor do momento, obrigou-me a tornar-me selvagem, já não queria saber das porporinas, da roupa de gala, da maquilhagem, do perfume. Desapertei-lhe a camisa, toquei os seus pêlos. Desapertou-me o sutien, apalpou os meus seios. Empurrou-me para cima dele, ele teve de afastar a cadeira para não dar com o volante. E então, ele baixou as calças, eu subi para me ajeitar. E aí...
O sexo começou. O que dizer deste acto? Selvagem. Fiquei, em vinte minutos,a conhecer melhor o homem, a conhecer melhor a sua constituição, a conhecer melhor o tão famoso pelas "mulheres da vida" sexo. Sexo / relacionamento sexual / o amor / a transa. Inesquecível.
Cheguei a casa despenteada, entrei pelas traseiras e contei tudo à minha irmã. Impressionada, quis saber de tudo. E assim se passou uma semana sem ver o Joaquim, pois sempre que tentara ir ao Madona's Cascais, fui impedida pelos meus pais, que me vigiavam. Uma semana em que acordei precisamente no dia 25 de Dezembro, dia de natal e fui vomitar.
Nove meses depois, Carolina nasceu.
Continua
Memorável porquê? O primeiro avanço, a primeira mais importante decisão, aquilo que chamam de relacionamento sexual / sexo / transa para os cariocas, aconteceu comigo numa noite que jamais esquecerei. Como todos o descrevem, é único, especialmente que quando se chega aos miseráveis e escassos milésimos de segundo que são ... enfim, são o que são. Mas não, isto não seria mais do que uma bela noite passada numa reles e ratada cama se não tivesse esquecido de pôr o preservativo / camisinha para os cariocas. Não me censurem, naquela altura os acompanhantes eram tesos como tudo, ou faziam uns de madeira ou punham pano, coisa repugnante. Claro que optei por tomar o risco de poder engravidar. E eis que o destino vira-se contra mim e Carolina Salgado Carreira, minha filha, nasce nove meses depois. Agora, a minha história.
19 de Dezembro de 1987. O vento uiva, faz frio como tudo. Agasalho-me para ir ao Madona's Cascais, o pub mais próximo, por ordem da minha irmã que fez uma aposta comigo. Sou uma jovem estudante de medicina; um pouco tímida que se isola a ler na varanda da casa dos pais, ou que vai comer um gelado de vez em quando com as amigas. Ir a pub era, como deu para ver, para mim um pecado. Era um pouco ingénua, é o que dá não estar informada nos anos 80 onde os hippies dançam ABBA. Tinha já ouvido falar de sexo, a minha irmã às vezes trazia amigas que comentavam o relacionamento no quarto da dita cuja, onde estava eu a espreitar na porta, mas nunca imaginei que seria naquela noite, naquela fria noite, que descobriria o sexo (o acto, claro).
Entrei, está a dar uma música jazz que homens gordos repugnantes a suar e a cheirar a porca no espeto abafam a melodia. Algumas "mulheres da vida", algumas amigas da minha mãe, conversam e fumam no canto. Decido ir para o balcão, sentando-me no meio de um casal de velhos que discutem o preço da vodka. Vem ter comigo um homem que pergunta o que quero eu e, envergonhada, abaixo a cabeça e murmuro "para já, não quero nada". Mas eis o momento que, quando o homem já se ia embora, uma voz grave e calorosa profere "arranja-lhe uma cerveja, por minha conta".
O ambiente é propício, fumo proveniente da nicotina vaporizada que julgo ser rosas a serem queimadas, espalha-se pelo pub, onde o cheiro a delito, perdição e pecado entranha-se pelas narinas daquelas pessoas imundas. Um homem, um maduro homem na casa dos quarenta, ri-se com os poucos dentes amarelos como o Sol que tinha, um sorriso mágico. Olhos protegidos por uma floresta de pêlos que faziam de sobrancelhas, olhos negros, negros como um corvo, negros como um coração quando cai em perdição. Lábios carnudos, grossos, a receberem a deliciosa e fresca cerveja preta, lábios com crosta, lábios que me deixavam cair em tentação. Ele era um homem, um homem que tinha sido o mais gentil até aquele momento, um homem que tinha-me oferecido uma cerveja, por conta dele. Seria generoso, estaria a ver-me como uma pobre coitada sem dinheiro e não como Fátima Carreira, filha de linhagem de família rica? Ou estaria ver uma jovem rapariga ingénua pronta a ser atacada? Não.. ele não poderia ser o Lobo Mau. Ele era perfeito, supremo, ele era um homem.
Aquele segundo, a pensar todas estas coisas, não me apercebi que estava a fazer uma coisa que fazia em situações humilhantes (como, por exemplo, chorar com maquilhagem)... eu estava a corar como uma porca a rir.
- Como te chamas? - o bafo dele era encantador.
Não respondi, fiquei a olhar para ele como uma lambisgóia un-chique, enfim, uma vergonha! Mas depois, ele pestanejou e vi-me obrigada a cair na real, como os cariocas dizem.
- Chamo-me... chamo-me Fá.. Fáfá. - Nunca pensaram, em cinco minutos após terem dito alguma coisa, que podiam ter dito outra?
- Fáfá... está bem. - e arrotou.
Os homens eram assim, porcos, imundos, não eram cavalheiros. Cascais era uma cidade que nunca dormia, mas para os reais cavalheiros, às oito da noite era xixi e cócó e nada de sair à noite encantar meninas. A cerveja lá chegou, seria a primeira vez a beber tamanha porcaria. O vinho do Porto, por exemplo, era a bebida que eu mais apreciava. Mas aquela cerveja preta olhava-me nos olhos, com os cantos cheios de marcas de lábios onde já os homens, os frangos do espeto, tinham posto lá a sua boca.
Bebi. O homem olhava-me, com aquele olhar, com aquele olhar mágico. Pestanejou e eu pestanejei. Foi então que, ao sabor da quente cerveja, ele pôs a sua mão suja de terra e carvão com dedos grandes e gordos no meu joelho. Um arrepio de emoção subiu-me até a espinha e forcei para não fazer movimentos bruscos. Sem saber porquê, arrastei a minha preciosa e delicada mão para expulsar a dele que me fazia peso e toquei-lhe.
Olhamos, então, um para o outro. A mão dele subiu e eu levantei-me.
- Chamo-me Joaquim.
- Chamo-me Fáfá. - não tinha gaguejado!
- Já tinhas dito o teu nome...
- Eu sei...
E rimo-nos a noite toda. Contamos piadas, bebemos cerveja. Horas passaram, sabia já a vida do homem de trás para a frente, da frente para trás, até que resolvemos sair do pub, pois já as quatro da manhã se avizinhavam.
- Queres boleia?
- Por favor.
De repente, olhei aquele homem com a camisa a querer-lhe sair do peito peludo e nojento, e vi um homem que tinha ido de porco para encantador. Estaria eu, a ficar apaixonada? Estaria eu, uma rapariga saída de um colégio de freiras, a ficar apaixonada por um homem com o dobro da minha idade? Joaquim levou-me para o seu carro, falamos durante a viajem sobre o encontro e ele levou-me para a praia. Parou junto dos rochedos, desligou o veículo.
- Isto é a praia - disse, sem querer mostrar entusiasmo, e a falar num tom de falsa surpresa.
- Sim, é a praia.
Joaquim beijou-me. Enquanto me beijava o furor do momento, obrigou-me a tornar-me selvagem, já não queria saber das porporinas, da roupa de gala, da maquilhagem, do perfume. Desapertei-lhe a camisa, toquei os seus pêlos. Desapertou-me o sutien, apalpou os meus seios. Empurrou-me para cima dele, ele teve de afastar a cadeira para não dar com o volante. E então, ele baixou as calças, eu subi para me ajeitar. E aí...
O sexo começou. O que dizer deste acto? Selvagem. Fiquei, em vinte minutos,a conhecer melhor o homem, a conhecer melhor a sua constituição, a conhecer melhor o tão famoso pelas "mulheres da vida" sexo. Sexo / relacionamento sexual / o amor / a transa. Inesquecível.
Cheguei a casa despenteada, entrei pelas traseiras e contei tudo à minha irmã. Impressionada, quis saber de tudo. E assim se passou uma semana sem ver o Joaquim, pois sempre que tentara ir ao Madona's Cascais, fui impedida pelos meus pais, que me vigiavam. Uma semana em que acordei precisamente no dia 25 de Dezembro, dia de natal e fui vomitar.
Nove meses depois, Carolina nasceu.
Continua
às 13:40 5 comentários .Chiques
Autora .Chique: Fafa
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