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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Um carnaval para recordar .Chiquemente!


Oi dears! Bem, como todos ficaram delicidados com o relato da Bá sobre a festa da Lu, eu decidi fazer uma pausa no blog para que pudessem ler e contactar-nos a pedir ajuda. A Bá, pelo que sei, já se encontrou com chiquesa com algumas leitoras, aguardemos um relato da parte dela. Quanto a mim, escrevo para vos contar a nossa festa de Carnaval, o melhor de sempre. Perdão, minto, o melhor foi o de 1994, mas o que interessa é o de este ano. Continuem a ler!

Todos os chiques sabem que, quem quer ser respeitado, tem de organizar um grande baile de máscaras no Carnaval. E todos os chiques sabem que, ao fazerem-no, deve-se convidar toda a cidade a comparecer. Pois bem, desta vez, em conversa com a Bá e a Fafa, no sofá, enquanto revíamos "O Amor Não Tira Férias" e comíamos pipocas, enroladas num cobertor numa certa tarde chuvosa, eu virei-me e disse:
- Fá, devias organizar o baile.
- Sim - apoiou a Bá. - Seria chiquíssimo!
- Ai, acham? Já não me visto para o Carnaval há anos... quanto mais organizar uma festa para os Un-chiques dos nossos vizinhos. - respondeu ela.
A Bá fez pausa no filme e começámos a falar. Penso que não é necessário dizer que, uma hora depois, estávamos já as três sentadas no chão, a comer pizza encomendada e a apontar os nomes dos chiques a convidar para o baile dela, que as três organizaríamos.
- Convidamos a Lu? - perguntou a Fafa, e todas nos rimos.
- Olhem... eu fui visitá-la! - gritou a Bá, e eu engasguei-me com uma pipoca. - Há dias!
Contudo, nem tempo tivemos para lhe perguntar quando, por que motivo, e como correu: fomos de imediato chamadas à porta, pelo toque da campainha - a minha governanta estava grávida, quase a dar à luz, deixei-a ir para casa uns dias, com chiquesa. Quem era? O veterinário.

Não sei se já disse o nome dele, mas chama-se Leonardo. Tem 27 anos, é solteiro, olhos castanhos, 1 metro e 77 centímetros. Provavelmente, ao lerem o relato da Bá, ficaram curiosos sobre o porquê de ele me estar a perseguir tão Un-chiquemente, durante a festa. Pois, tudo começara em Dezembro, quando ele me passou a telefonar-me todas as madrugadas. De início, eu saía da cama e ia até à sala, atendia e pedia-lhe:
- Por favor, não me ligues mais. Eu sou casada. Esquece-me.
Contudo, houve uma noite em que o Viti não viera dormir a casa, pois se encontrava em Faro, na casa de um amigo a tratar de negócios, em que eu me sentira particularmente sozinha (a Fafa estava em casa de uma tia, em Viseu, e a Bá estava em jantar romântico com o marido), e Leonardo me ligara.
- Podemos falar, Filipa? - perguntou, e ficámos duas horas ao telefone.

Perturbada por essa aproximação, corri a ligar à Bá a contar. Esta, contudo, não atendera; já a Fafa, por sua vez, disse que estava cansada de mais para falar. Peguei no meu cão e fui dar um passeio, em plena madrugada. Pensei bastante sobre o meu casamento, sobre Viti... sobre a vida que começo a levar. Nessa noite, apercebi-me de que, se calhar, Viti não é mais o homem com quem me casei.
Nos dias seguintes, ele continuou-me a ligar, quase sempre à mesma hora; e continuámos a falar, por vezes durante horas... até que, certa noite, enquanto falávamos, Viti apareceu na cozinha, surpreendendo-me un-Chiquemente. Olhou-me seriamente, e eu senti-me uma traidora, ali com o telefone na mão, a ouvir a voz de Leonardo sussurrar-me palavras que me confortavam.
- Não penses que te vou perder, Fi. Não sem lutar. - disse Viti, e voltou para o quarto.

Nessa noite, jurei ser a última vez que falava com Leonardo. Prometera a mim mesma não atender mais uma chamada. E assim o consegui cumprir, até que o vi na festa da Lu. Primeiro, horrorizada, escondi-me usando a bolsa da Bá, que entretanto se tinha ausentado. Mas ele logo me descobriu, e eu parti em corrida chique por entre as mesas. Estava tão nervosa que até fui contra uma cadeira, deixando-a cair. Depois, enfim, deu-se aquela cena perto da casa-de-banho, fruto de sentimentos que prefiro reprimir; sinceramente, preferia não falar desse acontecimento, preferia que Leonardo estivesse fora da minha vida. Mas a verdade é que, infelizmente, não está.

Voltando ao que dizia, fomos à porta e encontramos o Leonardo, que ficou surpreso por encontrar ali as minhas amigas.
- Olha, não me respondes às chamadas porquê? - perguntou a Fafa, furiosa por, desde aquele encontro deles, ele não lhe ter ligado mais.
Leonardo ficou em silêncio; depois, corado, pediu-me para falar em privado.
- Não - disse a Bá, encostando um pouco a porta. - Ela é casada, ela é casada com um homem que ama. Você tem 27 anos, podia ser filho dela! - aqui, olhei-a de lado. Chamava-me velha?! - Pronto, filha não, mas sobrinha. Por favor, vá-se embora. - Continuou, e fechou a porta completamente. Depois, abriu-a: - Ah, e esteja atento ao correio, pode ser que receba um convite para uma certa festa de Carnaval.

Quanto ao baile da Fafa... bem, também não acho necessário dizer que, nesse dia, fizemos directa a sonhar com vestidos, decoração, música, convidados. Na tarde seguinte, quando finalmente acordei, com os pés da Fafa encostados ao meu cabelo e a Bá entrelaçada entre nós, no sofá, pensei "Voltámos à Faculdade", e chamei-as. Fomos almoçar fora, a uma esplanada .Chique, onde continuámos os preparativos.
- Cento e cinquenta pessoas era bom - disse a Bá.
- Sim! - apontei, num bloco de notas, após a Fafa assentir.
- Quem convido para cantar? - perguntou ela.
- Podia ser a Sílvia... - disse a Bá.
- É, podia.
- Calem-se, não quero essa cadela no meu baile. Não a cantar. Pensem noutra pessoa. - devido à inflexibilidade da Fafa, tivemos de pôr música de CD, não houve banda.
Os dias seguintes passaram por entre preparativos, risadas e refeições improvisadas. Dois dias antes do Carnaval, à noite, estava eu a ler na sala quando o Viti chegou a casa do trabalho. Apontei-lhe para a mesa da sala, para um envelope, e ele aproximou-se.

- O que é?
- Abre - respondi.

Era o convite para a festa. Ele sorriu, pousou a pasta de trabalho e sentou-se ao meu lado. Depois de me agradecer, perguntou-me qual seria a minha máscara.
- Ainda não sei, mas estou a pensar ir de Julieta... da peça "Romeu e Julieta", sabes?

O .Grande dia acabou por chegar. A festa estava imensamente glamourosa, a casa da Fafa estava completamente cheia. Havia música, petiscos, enfim, todos dançavam, riam, falavam. Eu fui de Julieta, a Fafa foi de prostituta e a Bázita foi de Marylin Monroe.
Então, a meio da festa, estávamos nós a andar lá pelo salão quando somos abordadas por Telma, uma Un-chique lá de Cascais, mais conhecida pelas suas coscuvelhices. Estava mascarada de mecânica.
- Fafa, amiga... - começou, cínica. - Vejo que o vestido te assenta que nem uma luva! Parabéns!
Eu e Bázita olhámo-la, .Chiquemente intimidantes. Aquela Telma sempre tivera inveja da Fafa, que, por sua vez, se manteve calma.
- Assim como o teu, jóia. Não era o teu pai que era mecânico? Pois, "filho de peixe, sabe nadar"!
A outra quase explodiu de vergonha; estava acompanhada por outras três invejosas, cinquentonas, que nos olharam, raivosas.
- És uma pêga, Fátima. Sempre foste. Sempre andaste metida com os filhos, sobrinhos, NETOS, dos outros. - retorquiu Telma. - Estou é feliz que o teu marido te tenha traído.
- Sim, foi feita justiça! - concordou outra amiga dela.
- Agora, com o divórcio, tenho a certeza de que vais para onde mereces: para o esgoto, para a pobreza.
Eu e a Bázita entreolhámo-nos, e estivemos para responder, mas a Fafa, mantendo a calma, impediu-nos.
- Estás feliz? Deve ser péssimo ter de ver os outros mal para estar-se feliz. Não sei, diz-me tu...
- Destruidora de lares! - Telma alteava o tom de voz, e aqueles que estavam à nossa volta começavam a olhar.
- E, quanto à tua dúvida, não, não vou para a pobreza. Eu, Fátima Carreira, mulher de rica linhagem, tenho a minha própria fortuna. Não sou nenhuma suburbana, como tu, que procuraste ascender às altas classes de Cascais casando com um homem rico, vinte e seis anos mais velho que tu, o qual nunca amaste. Segundo as más línguas, claro.
Amei .Chiquemente a resposta da Fafa. Eu e a Bá rimo-nos ali na cara da Telma, que, mais vermelha que um pimento, se atirou para cima da Fafa, derrubando-a. Choquei-me, digo-vos, e inicialmente fiquei sem reacção, ao ver aquela criatura despentear a Fafa, e depois tentar rasgar-lhe o vestido. A Bá puxou-lhe um braço, gritando para que parasse, mas ela arranhou-a Un-chiquemente.

- Cabra! - gritou a Fafa, mordendo-lhe a mama. A outra gemeu de dor e ripostou com um bofetão. Desesperada pela Fafa, agarrei a outra pelos cabelos e consegui separá-las. Os homens à nossa volta começaram então a intervir, mas não conseguiram impedir a Fafa de se atirar novamente para cima de Telma e de lhe rasgar a parte de cima do vestido.
- Isso, bate-me! E ainda te dizes tu chique! Só se for num bairro de lata! - gritava Telma, sendo atacada.

O marido da Bázita lá interviu e puxou a Fafa para trás. A outra pisgou-se para fora de casa, dizendo que nem sabia como aceitara tão Un-chique convite, e as outras seguiram-na. A Fafa dispersou-se então na multidão e apenas ficámos lá eu e a Bázita, olhando-nos sem dizer nada. Foi então que soltámos uma gargalhada, descomprimindo um pouco. Contudo, esse momento de descompressão não foi muito, pois Leonardo lá tratou de aparecer, mascarado de lobo.
- Fifi! Estás linda! - elogiou-me ele, beijando-me a mão direita.
Sorri e agradeci o elogio. A Bázita, contudo, sussurrou-me ao ouvido:
- Não devíamos ir à procura da Fafa?

E fomos. Despedi-me .Chiquemente de Leonardo, dizendo que tinha uma amiga que precisava de mim, e fui com a Bá por entre a multidão. Depois, fomos procurar a Fafa por algumas divisões da casa - entrámos num quarto, inclusivé, onde vimos dois casais jovens a namorar -, até que a encontrámos sentada na despensa, a beber uma garrafa de vinho tinto. Parecia triste... sentámo-nos de cada um dos lados dela e pusemos - reparei, ao mesmo tempo - os braços à volta dela.
- Sabem... - começou, a conter as lágrimas. - Ela tem razão. Eu passei estes dez anos de casamento a brincar ao rato e ao gato com o meu marido... a traí-lo com homens (e uma mulher) mais novos que eu, muitas vezes. Foi engraçado, sim... mas agora, não me sinto com vontade de o fazer. Não estou a ficar mais nova... Caramba, já tenho 42 anos! Estou à beira do divórcio, e a minha vida não é nada como eu desejei. - Começou a chorar, aqui.
- Oh, Fá... - começou a Bázita. - Nós amamos-te, independentemente disso. Sim, estás à beira do divórcio, mas vais conseguir ultrapassar essa fase da tua vida. Estamos aqui ao teu lado.
Ela sorriu, mas não foi muito convincente.
- Então e vocês?
- Eu? - retorqui. - Nem me digas nada. O Viti disse que não ia poder aparecer, enfim, já era de esperar. Ainda para mais, o Leonardo está cá. - Peguei na garrafa de vinho e bebi um gole.
- O Leonardo? - perguntou ela.
- Sim, o veterinário. - disse a Bázita.
- Ah!... e tu, Bá?
- Pois, eu não sei. Sinto saudades do meu filho, sabem como é, já não estou com ele há muito tempo. E aquela Sílvia dá comigo em doida, às vezes... - disse a Bá, e bebeu também um pouco de vinho, depois de eu lhe passar a garrafa.
- Por falar na chinoca, onde está? Ela não era para vir? - perguntou, claro, a Fafa.
- Sim, e veio - respondeu a Bá. - Está para aí a embebedar-se, a dançar.
Nesse momento, a Fafa levantou-se e olhou-nos.
- Pois, e era o que devíamos fazer também. Vá lá, tivemos tanto trabalho a planear isto para agora estarmos aqui fechadas...? Vamos é dançar!
- Sim! - respondeu a Bázita, e levantou-se. As duas olharam-me.
- Desculpem... eu acho que vou para casa. Não estou com muita vontade.

Elas levaram-me até ao carro e insistiram para que ficasse. Pelo caminho, passámos por Leonardo, que estava à porta de casa a falar com... a Sílvia! E pareciam estar a dar-se bem, os dois. Não tinha namorado ela? Enfim. Eu não conseguia estar ali... uma ideia assombrava-me a cabeça: a separação de Viti. Estava cada vez mais descontente com a nossa relação, não podia continuar a viver assim. Conduzi até minha casa e, a meio do caminho, estava já lavada em lágrimas. Sabia que, assim que chegasse a casa, teria uma conversa derradeira com ele. Seria difícil, mas necessária.

Lá entrei no meu bairro. De início, ao olhar para minha casa, fiquei assustada. Via luzes no quintal! Luzes coloridas. Ouvia, também, uma música romântica. Fiquei alarmada... que se passaria?! Saltitei do carro, que estacionei rudemente à pressa no jardim da frente e corri pelo lado da casa. Quando cheguei lá à parte de trás, o que vi? Primeiro, uma mesa, totalmente decorada com velas e enfeitada com flores. Depois, Viti, lá sentado, olhando-me. Estava mascarado, mas não consegui perceber de quê, inicialmente. Estava, também, sozinho. Olhei-o, triste, e ele aproximou-se de mim.

- Diz-me... queres ser a minha Julieta, esta noite? - perguntou, ajoelhado, à minha frente. Eu sorri e logo saltei para os seus braços, de alegria.
- Claro! Amo-te, Viti! - respondi, e beijei-o, sem conter a respiração. - Chiquemente!

E ali passámos a melhor noite da minha vida, a falar, a conversar, a namoriscar. Essa noite, digo-vos, lembrou-me o porquê de ter casado aquele homem. E outra coisa vos digo: nessa noite, assim que subimos para o quarto, não preguei olho...

Beijos da Fifi!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Emocionada, .Chiquemente

Sim, un-queridos mas Darlings, é assim que eu, Fifi, me encontro, em plena madrugada! E qual o motivo de tal emoção assombrar a minha alma, de tal alegria me importunar o meu sono, passadas já as 5 horas da manhã - já ouço as galinhas! -, é essa a vossa pergunta. Mas eu conto: com .Chiquesa, como sempre, pensava na minha amizade com Fafa e Bá, no novo e promissor romance de Bá, cujos detalhes ocultar-vos-ei e também na nova relação amorosa de Fafa - ou direi, a primeira relação amorosa a sério? - que se desenrola graças aos novos meios de comunicação. Traduzindo para os mais un-.Cultos, a Fafa encontrou o amor através da Internet! Parabéns, querida! Relia, também, um post feito por mim aquando da minha zanga .Rude com a Bá, de nome "Amizade por um fio .Chique", e encantava-me com a força da nossa amizade que continua inabalável, mesmo depois de inúmeras desavenças daquele género. Devo também refererir que a festa para que fomos convidadadas, da parte de Lu, foi muito interessante e estou certa de que alguma de nós fará uma postagem para que não percam .Pitada .Chique! Agora despeço-me, vou dialogar para o MSN com o homem por quem a Fafa se perde de encantos, de nome Peres. Quarentão, culto e divertido, tenho a certeza que gostariam de o conhecer!!! Beijos da vossa Fifi!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Que .Chique/Un.Chique coisa quer ela?

Oi chiques leitores, é a vossa escritora predicleta, Bázita! Não, risquem isso, é a Fifi. Riso!

Pois bem, várias coisas aconteceram desde os meus anteriores relatos. Devo, contudo, contar-vos a mais importante, que se sucedeu há dias, quando eu voltava da padaria. A manhã estava fria e, por isso, eu envergava um luxuoso casaco branco e cachecol .Chique, enquanto troteava pelo passeio rude. De repente, um carro começa a parar ao meu lado e ouço uma buzinadela. Olho para o lado e quem vejo? Lu.

- Quer boleia, Fifi? - perguntou ela, rindo-se ironicamente.
- Nem morta. - retorqui, apenas para ser banhada pela água jorrada pelos pneus do carro dela, ao passarem sobre uma poça, segundos depois.
- Cuide-se! - gritou, sorrindo.

Perturbada, revoltada, irritada, .Un-chique, foi assim que me encontrava quando regressei a casa. Pousei .Chiquemente o casaco no cesto da roupa suja, pensando numa forma de me vingar. Contudo, nesse momento, o telefone tocou. Quem ousava ligar-me, perguntam-se vocês. Pois, o veterinário. Despachei-o com gentileza, escapando a mais um convite para um jantar. Desci, então, as escadas até à sala e pensei que engendraria melhor uma vingança caso descansasse um pouco. E assim o fiz, deitando-me no tapete do chão (o meu cão ocupava o sofá, perdoem-me!).
A campainha, duas horas depois, acordou-me. "Quem é", rosnei, indo até à porta. Abri-a e quem vejo? Lu.
- Podemos conversar? - perguntou, com um saco na mão. Dizia "Prada", de modo que me vi impossibilitada de não a deixar entrar.
Sentámo-nos, pois, na sala. Frente a frente, cão contra gato, .Chique vs .Un-Chique.
- O que a traz aqui, Lu?
- Fifi, há algo que preciso de conversar consigo. Fui rude ao estragar-lhe o vestido, hoje de manhã. Aceite este novo como recompensa. Penso que começámos com o pé errado, cara amiga.
"Cara amiga?", quem era ela para se dirigir a mim naqueles tons? Aceitei o casaco, claro, não me tomem por burra, mas logo tratei de a despachar.
- Está a pôr-me na rua?
- Que acha?! - perguntei, e bati com a porta.

Nessa noite, a Fafa e a Bá vieram até minha casa para sessão de filmes. Desta vez, foi a vez da Bá trazer um filme. Escolheu o "The Hours". Víamo-lo nós quando a Fafa se lembra e diz "Olhem, ouviram falar da festa que a Susana está a organizar?" "Conta!", dissemos nós. Vocês não sabem, mas aqui em Cascais quem quer uma festa bem organizada, desde casamentos a baptizados, bem como aniversários ou velórios - estranho, sei!-, fala com a Susana Carvalho. Cinquentona, tem toda a liberdade que uma mulher solteira pode ter, pelo que as festas organizadas por si são sempre boas. Desta vez, contudo, quem a requisitara para organizar uma festa fora nada mais nada menos que... Luísa Carreira. E, por isso, dado os eventos que vos acabo de relatar, foi com alguma naturalidade que, na manhã seguinte, encontrei um convite na carta de correio. "Venha bem vestida, querida, e divirta-se", dizia ela. Liguei logo à Bá.
- Recebeste convite, também?
- Sim, recebi!
- Ok .Chique, ligo-te já.
- Muah .Chique para ti!
Desliguei e marquei o número da Fafa.
- Estô? - disse ela.
- Fá! Olha, a tua irmã mandou-nos convites para a festa dela, a mim e à Bá!
- O quê?
- A ti não?
- Não...
- Já viste a caixa de correio?
- Estou meia ocupada agora... Depois vejo e ligo-te!
- Ok!
Desliguei. Horas depois, eu e elas fomos à padaria de nome "Doces e Doçuras", local indispensável para todos os chiques, como sabem, onde as três falávamos do convite. A Fafa, contudo, não recebera nada.
- Que quer aquela nojenta convosco?! - gritou, bebendo .Vodka.
- Não sei... mesmo. - respondi.
- Só há uma forma de descobrir. - respondeu a Bá, engasgando-se com o bolo. - Irmos à festa.

Pois, chiques, a festa será hoje. Estou neste momento a preparar-me! Aguardem novos desenvolvimentos, connosco! Beijos

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Cooperação .Chique

Olá .Chique para todos os leitores. Eu, Fifi, tenho muitas novidades para partilhar convosco, leitores fiéis e que sempre nos visitam em busca de novas postagens. Neste post, vão rir, vão divertir-se, e vão sofrer connosco. Preparem-se, pois foi preciso uma cooperação entre as três amigas mais .Chiques (eu, Fafa e Bá, para quem não vive neste planeta) para que vários segredos descobertos (a Sílvia também ajudou, como vão ver).

Quinta-feira, estávamos as três no nosso habitual chá das cinco a conversar sobre os .Chiques e os Un-.Chiques de Cascais, quando a Fafa se vira para nós, bebendo um copo de vinho do Porto:
- Acho que o meu marido me anda a trair.
- Como se isso te importasse muito...! - disse eu, rindo-me.
- Realmente - concordou a Bá. - Mas o que te leva a pensar isso?
- Meninas, é assim. EU posso trair. Eu. Agora se eu sei que o meretriz do meu marido me trai, a coisa é outra. E estas suspeitas já me andam a chatear há umas semanas. Chega atrasado do trabalho, bêbado. Isto quando vem dormir a casa, porque às vezes nem vem.
- Credo! - disse eu.
- Pois. Preciso da vossa ajuda.
- Conta! - disse a Bá, e a Fafa começou a relatar-nos o plano dela, que consistia no seguinte: irmos, na noite de Sexta-feira, com ela para espiarmos o seu marido e sabermos o que realmente se estava a passar. Só que havia um problema:

- Mas o meu marido chega amanhã de Moçambique e eu queria preparar-lhe uma surpresa. - disse a Bá. - Ele foi fazer uma missão para lá, ou não se lembram...?

Começámos as três a pensar no assunto. Além disso, havia outra coisa: o Veterinário continuava a telefonar-me, querendo marcar um encontro. Eu, claro, tentava adiar, mas ele insistira e acabámos por marcar um jantar para Sexta-feira. Eu estava, como imaginam, aterrada pois a ideia de trair o meu marido, o Viti, assusta-me imenso. Precisava também da ajuda delas, mas pareciam tão ocupadas e a precisar da minha ajuda, que eu não sabia como pedir. É então que, depois de quase uma hora a discutirmos, a Fafa se lembra:

- Parem. Fazemos assim, ouçam: Tu, Bá, pedes à cadela da Sílvia para ir preparando o ambiente, fazer um jantar, tu sabes. Ela está aqui a dormir, também não lhe custa nada. E tu, Fifi, não precisas de desmarcar o jantar. Eu vou na tua vez, no fim da noite ele vai estar tão interessado em mim que já não te chateia mais.
- Credo...
- E como é que isso ia ser? O António chega à meia-noite... - disse a Bá. - Tenho que estar aqui antes!
- Dah. O meu marido sai do trabalho às 9:30 da noite. O jantar da Fifi é às 8. Vocês ficam na tua casa, Bá, a fazer os preparativos para a chegada do António e, lá para as 9 e pouco vão buscar-me ao restaurante e vamos as três para a empresa. Depois de vermos o que o meu marido anda a fazer, acho que ainda te conseguimos deixar em casa antes da meia-noite, Bá. - Disse a Fafa.
- Fashion! - alinhámos as duas.

No dia seguinte, eu estava nervosa. O Viti saíra de manhã cedo de casa, ainda zangado comigo pela cena doutro dia. Acordei, contudo, e levantei-me .Chiquemente com energia. Sabia que ia ser um dia longo, tinha de me preparar. E que melhor forma do que levar o meu cão a passear? Pois, enganam-se, há outra: tomar um duche quente. E assim entrei na banheira cheia de espuma, falando com a Bá pelo telefone:

- Sim, Fi, mas a que horas vens?!
- Não te preocupes. Devo estar aí lá para as seis.
- Isso é muito tarde...!
- Okay, cinco e quarenta e cinco.
- Combinado.

Quando cheguei lá, a tarde estava já a acabar. Estávamos as três na cozinha, eu e a Bá a preparar um perú e a Fafa a comer cereais com sumo de laranja natural, quando vemos a Sílvia irromper pela porta das traseiras.

- Kunichiwa!
- Oi cadela.
- Sílvia, anda aqui. - disse a Bá, e ela veio. - Preciso que me vigies este perú, está bem? Vou pô-lo no forno e preciso que alguém fique aqui a ver enquanto que nós vamos sair.
- Eu? - berrou ela. - Mas eu tenho um encontro, hoje, com o Rui!!
- Rui? Quem é o Rui? - perguntei eu, curiosa como sempre.
- Adias, ou levas nessa melancia asiática a que chamas cabeça. - disse a Fafa, e ela não teve outra alternativa se não ficar ali (pensávamos nós).

Meia-hora mais tarde, estávamos as três no shopping a fazer compras. Aliás, a Fafa estava a fazer compras, nós apenas dávamos sugestões, como sempre acontecia: todas as semanas, ela tinha um encontro, e lá íamos nós ajudá-la em relação ao que vestir.

- Ai, vocês são tão certinhas! Isto é tão anos 50. - disse ela. - Vou levar aquele. - continuou, apontando para um vestido preto brilhante.
- Que horror... - disse a Bá.
- Que foi? - perguntou ela, vestindo-se em frente da loja toda.
- Olha, Fá, pareces uma prostituta.
- Concordo, Fi! - disse a Bá.
- Okay, então ajudem-me. - disse ela, e lá ficámos até às 7.45 a escolher um vestido.

À última da hora, lá saímos do shopping. A Fafa estava já vestida para ir de encontro ao veterinário.

- Acelerem, antes que a minha .Chiquesa de maquilhagem borrate! - gritou, e fomos até ao restaurante "Flores Brancas, Gravata Azul", onde o Veterinário me esperava, supostamente.

- Vão ver o perú, eu trato do assunto. Aquele Veterinário vai sair daquele restaurante a aprender umas lições de anatomia! - disse a Fafa, saindo do carro, e nós rimo-nos.
- Já sabes o combinado: eu adoeci, não pude vir. E tu decidiste vir em meu lugar, por educação. - lembrei eu.
- Fi, traio o meu marido há quase duas décadas, achas que preciso que me lembres disso?

Eu e a Bá voltámos então para a casa dela, onde íamos ficar a fazer mais algumas coisas até irmos buscar a Fafa ao restaurante. Quando chegámos lá, contudo, vimos, pela janela, os móveis da cozinha a serem consumidos por chamas.

- Cruzes .Chiques!! - gritámos, e corremos para lá o mais rápido possível.

Lá dentro encontramos a Sílvia a tentar apagar as chamas com um balde, arremessando àgua para cima dos móveis. Contudo, o fogo estava descontrolado. Lembro-me até de sentir uma chama roçar-me o cabelo .Chique.

- Ajudem-me! Kuni! - berrou ela, e a Bá correu até ao quintal para ir buscar a mangueira. Eu segui-a, claro.

Segui as instruções da Bá e esperei junto da manivela até que ela entrasse na cozinha, cada vez mais quente.

- Agora, Fi! - gritou ela, e eu puxei a manivela rapidamente. A mangueira, de imediato, lançou um jarro de água por toda a divisão e, por pouco, a Bá não conseguiu controlá-la. Cinco minutos depois, o fogo estava extinto.

- Desculpem... - chorava a Sílvia.
- Viste o que fizeste? Custava muito tomares conta de um simples perú?? Agora vou ter uma despesa enorme!!
- Calma, Bá! - disse eu.
- CALMA? Olha, eu nem quero imaginar quando o António vir isto!
- Ele não tem de saber. - disse eu, e sorri, já com uma ideia em mente.

Eram nove horas e estavam já lá dois carpinteiros que eu un-.Chiquemente conheço, tratando do assunto. Prometiam ter o material necessário para remodelar aquela cozinha até à meia-noite, hora da chegada do António. E, melhor: era grátis, pois eles deviam-me um favor (longa história, talvez quem sabe para outra postagem?). Mais descansadas, deixamos uma Sílvia agarrada ao frasco onde estava o seu gato morto a vigiar os dois homens e fomos buscar a Fafa ao restaurante.
Estacionámos lá em frente e conseguimos vê-la a sorrir para o Veterinário, que sorria também. Tentámos fazer sinais gestuais, mas ela não nos via. Peguei no meu telemóvel e liguei-lhe.

- Já estamos à tua espera! - berrei.
- Ah, olá! Já me esquecia, quase. Calma, galdérias, já estou a ir. - desligou-me ela, e vimo-la despedir-se do Veterinário com um beijo no canto da boca.

- Como correu? - perguntei, e ela contou-nos todos os pormenores enquanto a Bá conduzia em direcção à empresa do marido da Fafa.

Ao que parece, o Veterinário não se importou muito com o facto de eu não ter ido. E ele e a Fafa deram-se muito bem, pelo que ela contou. Riram-se, e tinham muitas coisas em comum. Mas isto dizia ela sempre, e os casos não duravam mais que um mês. A ver vamos. Chegámos à empresa e estacionámos perto do carro dele, à espera.
Uma hora depois, cansadas de esperar, saímos do carro em direcção à portaria.

- Que vamos fazer, Fá? - perguntei eu, caminhando abraçada à Bá, ainda cheia de frio.
- Deixem comigo.

A Fafa avançou em frente e, depois de se exibir em frente ao porteiro, conseguiu as chaves dele.

- Liga-me, gato. - Disse ela, e chamou-nos para irmos com ela.

Avançámos pelos corredores do edifício e subimos vários lances de escadas até chegarmos ao piso onde o gabinete do marido dela, José, trabalhava. Uma vez lá, em frente à porta, parámos, ouvindo vozes do interior.

- Ela é uma porca. Ainda noutro dia eu a vi no café com o jardineiro, eles os dois a namorarem. Claro que tirei fotografias, ora vê. Nem sei como te meteste com uma mulher destas... sorte é que me tens a mim, amor. Ela nem perde pela demora... - ouvíamos uma voz feminina, que me parecia familiar.
- Lu?!!! - berrou a Fafa, nesse momento, pontapeando a porta.

Lembro-me de, ao ouvir aquilo, trocar olhares chocados com a Bá. Depois, olhei em frente, e vi juntamente com elas Lu, irmã da Fafa, sentada sobre a mesa, beijando José. Ao notarem a nossa presença, os dois ficaram sem reacção, fitando uma Fafa a emanar raiva por todos os lados.

- Sua... - disse ela, e atirou-se à irmã instantaneamente. As duas começaram a rebolar no chão, enquanto que Fafa lhe puxava os cabelos e a outra se tentava libertar. - Como me pudeste fazer isto?? À tua própria irmã?! - disse a Fafa, rasgando, selvagem, o seu vestido. - Como pudeste?!

Nesse instante, contudo, José levantou-se para ajudar Lu. Agarrou na Fafa e tentou afastá-la da irmã. Não, nós não íamos permitir isto. A Fá precisava de nós.

- Vai por esse lado. - sussurrei para Bá, e as duas fomos em direcção ao marido, para o atacar. Acabámos por cair em cima dele, em cima do seu corpo semi-obeso, e usámos toda a nossa força .Chique para o manter ali no chão, enquanto que a Fafa tomava conta da irmã. É então que os guardas da empresa chegam e, sendo eles meia-dúzia, nos separam e fazem queixa de nós à polícia. Duas horas depois, estávamos as três na prisão, numa cela imunda cheia de ratazanas.

- Socorro .Chique... - murmurei eu, vendo um recluso a cuspir na parede.
- Meu Deus, que fomos fazer? - disse a Bá.
- Desculpem, amigas.

Então, nesse momento, vemos António, acompanhado por um guarda, aproximar-se da cela.

- Este senhor pagou-vos a fiança. Podem ir.

Nós não podíamos ter ficado mais felizes. Saltámos para cima de António e agradecemos-lhe o seu gesto. Fomos, então, para casa da Bá, onde íamos passar o resto da noite. Felizes, fomos a ouvir rádio e a cantarolar, relatando todos os detalhes a António. Quando chegámos à casa de Bá, contudo, chocámo-nos ao ver Sílvia enrolada com um desconhecido no sofá.

- Que é isto?!! - berrou a Bá, e os dois caíram ao chão, assustados.
- Este... este é o Rui. - respondeu a Sílvia, levantando-se.

Sentámo-nos nos sofás e ficámos todos a falar o resto da noite. Não havia necessidade para discussões, naquele momento. Contudo, o futuro preocupa-me...

Beijos .Chiques!!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Sem saber o que fazer, .Chiquemente!!

Olá, chiques leitores! Pois é, leram bem, estou num .Dilema. Conto-vos tudo, claro, como poderia nao o fazer?

Bem, como devem saber, eu ontem ia jantar com o meu marido, o Viti, apesar de ter recebido uma proposta para sair, com o veterinário do ConiPiçi. Claro que não ia sair com ele, qual mulher casada e respeitável que sou. O meu marido esperava-me, .Chique e sensual como sempre foi. Apesar de já ter 50, ninguém lhe daria mais de 48. E lá fui eu, depois de umas horas na casa de banho, para o restaurante mais .Chique de Cascais, de nome "Flores Brancas, Gravata Azul".

Cheguei lá e esgueirei-me pela multidão até a uma mesa perto da janela, como sempre faço, para poder observar a paisagem. Sentei-me e comecei a esperar, ainda faltavam uns minutos para a hora confirmada. E esperei. Esperei, esperei. Pedi vinho. Bebi, e esperei. Até que, uma hora depois, olhei em volta. O restaurante, animado, e eu ali. Sozinha. Liguei ao Viti mas não me atendeu. Tinha o telemóvel desligado, na verdade. Então, pedi a conta e, mal saí do restaurante, marquei o número do veterinário.

- A sua proposta ainda está de pé? - disse, nervosa.
- Claro que sim, Filipa. - respondeu-me ele. Como sabia o meu nome? Indignada, combinei um ponto de encontro, a fonte no centro de Cascais.

Cheguei lá e esperei um pouco, sentada. Estava frio. Até que vejo um carro preto, um Opel que emanava sensualidade. O vidro começou a baixar-se, lentamente, e é aí que vejo um homem muitíssimo atraente a sorrir-me. Corei, mas tentei esconder o nervosismo.

- Boa-noite. - disse-me ele, observando-me a sorrir. Nessa altura, dei graças a Deus por ter passado tanto tempo a arranjar-me.
- Boa-noite. - avancei, confiante, e entrei no carro. Contudo, ao sentar-me, o vestido ficou preso na porta. Sorri e tentei desprender-me, sem sucesso! Meu Deus, estava mais vermelha que uma vagina. Olhei para o lado, mas ele já havia saído para me ajudar. Ele abriu a porta com os braços musculados (mas não muito, ew .Chique) e eu agradeci.
- Vamos? - disse-me ele, e acelerou.

Levou-me para casa dele. Sim, dá para acreditar? Casa dele. E eu, Fifi, ao ver que não íamos para um local público, berrei, antes de sair do carro.
- Mas que é isto? A minha chiquesa não vai sair daqui!
- Hum... tenho chocolate e cd's do Rod Stewart em casa, à nossa espera.

Com aquelas palavras, convenceu-me. Eu amo Rod Stewart, enfim, todos sabem disso. Saí do carro e acompanhei-o ao seu apartamento. Lá, sentei-me no sofá, ainda meia envergonhada.

- Então, posso fazer uma pergunta?
- Pode. - respondi, pegando no copo de vinho que ele me trazia.
- Porque decidiu aceitar o meu convite?
- E porque lhe espanta que tenha aceite? Preferia que não o tivesse feito?
- Não... é só que...
- Então ponha-me mas é música enquanto eu vou à casa-de-banho, estou aflita. - menti. A verdade é que toda aquela aproximação me deixava .Un-chiquemente nervosa. Ali estava eu, na casa de um desconhecido. Tinha de ligar a Viti.

Na casa-de-banho, incrivelmente bem limpa e perfumada, peguei no telemóvel .Chique e vi que tinha não uma, mas várias chamadas de Viti. Liguei-lhe, claro.

- Muito obrigado, Filipa, por me deixares pendurado.
- Desculpa? Tu é que me deixaste pendurada, eu nunca faria uma coisa .Un-chique dessas!
- Olha, podes vir cá abaixo? Eu segui-vos... - disse ele, e o meu coração quase rebentava.
- QUÊ?! - berrei, olhando pela janela.

E não é que ele estava mesmo lá? Envergonhada, fugi para a sala. Não fui ter com Viti na hora seguinte, com medo.

- Pode ficar aqui, se quiser. - disse-me o veterinário.

Tentador, não? Pois... mas não fiquei. Lá acabei por descer, para os braços do meu marido. Viti, contudo, não me falou mais durante a noite toda. Hoje de manhã, fazia eu torradas, quando ele vem discutir.

- Que querias tu?! Fiquei uma hora à tua espera! E que ideia foi essa de me seguires?! Nunca te fui infiel. Nunca, nunca. Tu? Tu, já. Eu perdoei-te, não perdoei? E agora tu andas-me a seguir?! Cada vez me desiludes mais! - disse, e fugi para o exterior de casa. Dei-me por contente por já estar vestida com o fato-de-treino rosa-choque/.Chique.
- Filipa, espera! - berrava ele, perseguindo-me pelo quintal.
- Deixa-me, Viti! - disse eu, e fugi para casa da Fafa.

Lá, qual drama queen que fui (odeio quando sou fraca), a Fafa e Bázita consolaram-me. Estivemos, as três, a comer chocolates, pipocas, enfim, coisas que só nos fazem mal e a ver comédias românticas. A falar mal dos homens. No final da tarde, saí de lá mais feliz, nada como uma tarde passada com elas!! Enfim... o Viti ainda não voltou. A Fa pediu-me o número do veterinário mas eu não lhe dei, contudo, não sei por que motivo, mas disse-lhe que não o apontei.
- Estás interessada nele, sua...! - disse ela.
- Não estou...!
- Deixa lá, Fi. Não tem mal estares. - disse a Bá. - Afinal de contas, o Viti não tem sido um bom marido para ti.

Quanto ao Viti, ainda não voltou do trabalho. Estou aqui com o meu cão, estou a falar com ele. Sim, riam-se! Enfim... vou dormir, ou tentar. Até amanhã, com chiquesa.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Uma ida .Chique ao Supermercado

Olá .Chiques leitores! Daqui Fifi, excitadíssima e com algumas novidades para vos relatar! Pois bem, hoje de manhã, acordei a cheirar o hálito .Chique do meu marido, o Viti, que me olhava ternamente.

- Que estás a fazer? - pergunto.
- Nada, só a olhar para ti.
- Logo vamos jantar fora, certo?
- Claro. - disse-me ele, e depois de uns beijos (calorosos, uff), desci as escadas da minha mansão até à cozinha. Tomava o pequeno-almoço quando recebo uma chamada de uma das minhas empregadas, a dizer que estava doente e que não viria ao trabalho. Resultado: tinha eu de ir, pela primeira vez em 10-15 anos ao supermercado. Escusado será dizer que a ideia por si só me trouxe lágrimas aos olhos.

- Que se passa? - Viti descia as escadas.
- Vou ter que ir às compras! - berrei.
- É melhor despachares-te, o leite acabou. - disse-me ele, friamente.

Meia-hora depois, conduzia .Chiquemente por Cascais. Chovia. Estacionei perto do supermercado e, confiante, enxuguei as lágrimas. "Eu consigo", dizia para mim, enquanto pegava no carrinho-das-compras.

- Quer ajuda? - perguntou uma funcionária.
- Tenho ar de quem quer ajuda?! - berrei, e corri com chiquesa para a secção dos frescos.

Louca, selvagem, olhei para a lista de compras e apressei-me a enfiar as coisas para o carrinho, sem olhar a preços. Quando cheguei à caixa, minutos depois, o carrinho abarrotava. A funcionária, jovem e carregada de maquilhagem, ficou felicíssima ao ver aquilo.
- São 140 euros. - disse ela, a sorrir, e aí reparei: tinha-me esquecido da carteira em casa.

.Choque: que iria fazer? Olhei em volta, desesperada. Remexi os bolsos.
- Precisa de ajuda? - perguntou uma voz masculina, grossa, atrás de mim. Voltei-me e eis que vejo o veterinário que nos ajudara há dias, com o ConiPiçi.
- Olá... - disse, estranha e .Un-chiquemente nervosa.
- Senhora? - disse a funcionária, interrompendo a nossa troca de olhares.
- Pois... esqueci-me da carteira em casa...!
- Não faz mal, eu pago. - disse ele. - E dou-lhe boleia, pode ser?
Agradeci e sorri, pensando nos motivos que o levavam a ser tão gentil para comigo. Fomos, no carro dele, até minha casa (eu depois vou buscar o meu, mais logo). Durante a viagem, falámos .Chiquemente de mim, da zona onde eu morava, dele. Descobri que somos vizinhos (ele mora em Cascais e toda a gente sabe que em Cascais todos nos tratamos como vizinhos que somos) e que ele aprecia muito música clássica, como eu. Quando chegámos a casa, ajudou-me a levar as compras lá dentro. Ofereci-lhe um café, coisa que ele recusou.

- Preferia ir tomar um consigo mais logo à noite. - disse ele, fazendo-me corar. - Que me diz?
Eu, claro, fiquei sem reacção. Um homem, mais novo, vintão, a convidar-me a sair? Adultério, comigo? Não, claro, ia recusar, quando ele diz: - Não precisa de responder agora. Aqui está o meu número. - disse, e escreveu-o num papel. - Ligue-me, sim?

Saiu de casa e aqui estou eu, confusa. Claro que não lhe vou ligar, vou antes dar o número à Fafa, ela de certeza que vai adorar a ideia! Bem, vou mas é arranjar-me, um jantar romântico com o Viti espera-me!

Beijos!!

sábado, 17 de novembro de 2007

Uma Adolescente Asiaticamente .Un-Chique

Eu, Fifi, nem sei como a Bá se esqueceu de referir pessoa mais insólita que acabou de chegar (inesperadamente) às nossas vidas, no seu post de hoje. O seu nome é Sílvia Monteiro e revelou-se, de facto, uma criatura, além de .Un-chique, muitíssimo adolescente e problemática.
Provavelmente, já a conhecem devido ao seu blog. A sua mentalidade, do ponto de vista .Chique que sempre adopto, é rude e imprevisível. A sua maquilhagem? Irritantemente colorida. Pois bem, deixem-me começar pelo início.

1- A Chegada

A Bá havia-nos contado, há dias, a mais recente loucura do seu filho: querer ir estudar para a peçonhenta cidade do Porto (que romances adolescentes eu vivi lá, devo mencionar). E não é que ele levou a ideia avante? Sim, chiques leitores, levou. E, para isso, trocou de casas com uma desconhecida, desesperado por não ter dinheiro para pagar a renda (rejeitou o dinheiro da mãe, coisa que fez a Bá chorar durante uma noite inteira, em minha casa). Essa desconhecida, como soubemos ontem, era afinal a asiática Sílvia, que chegou aqui carregada de malas previamente compradas na feira, num comboio empestado de gente suada (lá não me apanhavam, nem .Morta, como imaginam). A pedido da Bá, eu e Fafa fomos lá recebê-la, sujeitando as nossas roupas engomadas pelas nossas empregadas ao pó e ao lixo existentes na central de comboios, que mais parecia ser situada na lixeira de Cascais.

Estávamos nós as três, sentadas de perna cruzada, num dos bancos, com os óculos-de-sol .Chiquemente postos, apesar de já ser noite, quando o comboio chega e, imediatamente, uma cambada de gente (ou, direi, animais?) sai do meio de transporte, atropelando-se. É então que ouvimos um berro: "Kunichiwa??! ConiPiçi????????????!!"
Olhámos, assustadas, para o lado e vimos uma asiática a olhar para o chão, onde um gato malhado jazia, esmagado por uma das suas malas. Ela apressou-se a ajudá-lo, contudo, ao fazê-lo, deixou cair o resto das malas, uma delas caindo em cima do animal. "Ajudem-me!", berrou, e a Bá não se demorou a chamar o 112.

Apesar dos esforços do veterinário (atraente, vintão, sexy), o animal não sobreviveu. Foi na clínica que pudemos apreciar melhor Sílvia, enquanto esperávamos notícias sobre o estado do animal. Ela estava sempre a andar às voltas, a ouvir músicas como "Music is My Hot, Hot Sex" (apenas a identificámos pois a Bá disse que o seu filho ouvia muito), "Stars Are Blind", enfim, lixo adolescente que nós, .Chiques, recusamos ouvir; os seus braços estavam cheios de pulseiras; a sua roupa, além de sugestiva, estava suja, marcada pelo suor. Credo, pensam vocês. Socorro!, berrou Sílvia ao saber que o seu gato tinha falecido. Depois dos choros habituais, levámo-la para casa da Bá, onde as quatro ficámos a noite a conversar.

2- As Confusões

Nessa noite, ninguém dormiu. Excepto, claro, a Fafa, que encontrámos, às 4 e meia da manhã, meia-hora depois de ela dizer que ia buscar vinho ao frigorífico, na cozinha, enroscada com o cão da Bá e a fumar um cigarro.
- Fá?
- Oi Sexy. Bá, o teu cão... Meu Deus .Chiquérrimo!
- Kunichiwa? Swminy? - dizia Sílvia. Não me perguntem o significado de tais palavras, pois desconheço.
- O que fizeste tu ao meu cão?? - berrava Bá, aterrorizada.
- Calma, ó sua pobretanas! Apenas dizia que ele é um bom ouvinte, adorou as minhas confissões sexuais.
- Já bebeste demais. - disse eu, e levei-a para longe do pobre animal, que parecia perturbado.
Minutos depois, a Sílvia decidiu dirigir-se à casa-de-banho, pois estava, e citando-a, "quase a explodir". Estávamos as três a comentar sobre ela quando ouvimos um grito estridente e feminino do andar de cima. Corremos para lá e encontrámos, no corredor, o marido de Bá nu, em frente a Sílvia, aterrorizada.
- António? Que fazes assim, a estas horas? - perguntou a Bá.
- Vinha à casa-de-banho e encontrei esta aqui... Desculpa, amor.
Sílvia, fragilizada por ver pela primeira vez o orgão reprodutor masculino (segundo me contou horas depois), em circunstâncias tão dramáticas, fugiu como uma lebre para o exterior da casa. Corremos atrás dela, gritando palavras que desconhecíamos, supostamente pertencentes ao dicionário da língua japonesa. E eis que a ouvir "Sexwá", ela parou.


3- A Mudança De Casa

Passámos mais algumas horas na casa de Bá, a ajudar Sílvia a instalar-se. Ela lá ficou. Hoje de manhã, quando fui ao quarto dela, encontrei o seu gato num frasco.
- É para nunca me esquecer dele. - disse-nos Sílvia.
Bem, o certo é que esta jovem tem algo de estranho... Espero que a Bá não se arrependa de a receber em casa. Tenho a ligeira e .Chique impressão de que sim, contudo.

Beijos Fifi's!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A Bá num post .Chique

Oi chiques/un-chiques/pseudo-chiques/meretrizmente chiques, aqui estou eu, a Fifi!!! Sim, queridos, a minha vida está de volta à normalidade. Apesar de ainda não estar a escrever o meu romance como dantes, consegui voltar a amar o Viti e a confiar nele a 100% (ok, 99...), pelo que fomos passar o fim de semana anterior às ilhas Canárias, onde apanhámos muitas conchas na praia e fizemos muito amor no mar. Recordações que partilhei com as minhas amigas, claro, no chá das cinco de ontem. Por falar nisso, a Fafa está metida noutra aventura: o marido descobriu uma das suas escapadelas, com o homem do ginásio, e o casamento deles corre risco. Ela ligou-me há umas horas, a chorar, com medo de ficar sem dinheiro para comprar óculos de sol .Chique (sim, porque há sol un-chique, aquele que causa cancro) e roupas. Mas calem-se, que já me estou a demorar, comecei este post porque quero falar-vos da galdéria chique que é a Bá. Pois bem, deixem-me começar.

Bá- a Bá é a Bá. Ponto final. Quem a conhece sabe como ela é. Mas, supondo que vocês não a conhecem, eu vou escrever umas linhas a falar da sua personalidade + sex-appeal. Pois bem, ela sempre foi uma rapariga/mulherzinha/mulher chique, simpática e bondosa. Sempre pronta a ajudar o próximo, é muito directa e irónica com todas as un-chiques que a tentam imitar/ameaçar. Sempre que entra numa luta, é para ganhar, mas perde às vezes. Tem um cão que adora e um marido que ama, desde que se casaram. Nunca o traiu, que eu saiba. Sempre foi uma boa amiga, ouvinte perspicaz e conselheira infalível. Sempre que alguém tem uma dúvida, liga à Bá (ou manda sms, que nós também sabemos escrever sms's, que pensam?!). Infelizmente, há meses esteve muito mal quando descobriu que o marido tem SIDA. Coitada, nunca a vi assim. Cometeu loucuras, apercebi-me. Mas pronto, a Bá é inconfundível. Sempre com um sentido de humor a mil, com roupas fora-de-moda-mas-que-insiste-usar e muita saliva para arremessar a quem a ouve falar, é um amor de pessoa. Os seus defeitos? É uma galdéria, expulsou-me de sua casa.

Beijos, amo-vos, Fafa + Bá, para sempre. Amanhã falarei da Fafa, prometo, contarei alguns podres dela... riso! Muah.

sábado, 18 de agosto de 2007

Amizade por um fio .Chique

Oi dears... escrevo-vos chiquemente do meu pc portátil, agora inundado pelas minhas lágrimas, para desabafar convosco...

Com tristeza minha, conto-vos que nós as três nunca tivemos tantos conflitos como nos últimos tempos e o culminar da situação pode ser o pior... é isso mesmo, a minha amizade com a Bá está por um fio .Chique. Porquê? Muita coisa, mas basicamente incompatibilidades...

Bá, se, por algum motivo, deixemos de ser amigas, quero apenas agradecer-te por estes mais de trinta anos de amizade! Sim, muita coisa se passou connosco, muitas zangas, muitas alegrias, muitas felicidades, muitas tristezas... mas, às vezes, não dá mais.

Se esse for um desses casos... quero apenas que te lembres da Fifi como a pessoa de quem foste amiga durante este tempo todo. Peço-te apenas isso... por nós, por tudo o que vivemos. Se não conseguires, se fores incapaz, se te for impossível, então toda a esperança está perdida.

Rezem por nós com chiquesa, leitores.

Beijo .Chiquemente triste,

Fifi.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Amo-te Viti, .Chiquemente!

Oi queridos.... como podem ver pelo título, é a Fifi a postar!

Volvidos de Timor, a relação amorosa que tenho com o meu querido Viti está reforçadíssima! É por isso que a ele dedico mais este .Chique post, a ele, ao amor da minha vida!

Meu Deus, por onde hei-de começar?! Viti, antes de mais, deixa-me dizer-te que espero que envelheçamos juntos...! E que, quando a minha cara estiver coberta por rugas .Chiques (não farei plásticas!!), espero acordar a teu lado todos os dias!

Quanto a ti, a nós... o que posso dizer? Adoro (quase) tudo o que de .Chique (e un-.Chique
também, riiso...) há em ti! Adoro aquelas tardes passadas a beber sumo de laranja (ou de ananás, no teu caso) e a ter conversas infindáveis, discutindo os nossos pontos de vista sobre livros e filmes! Adoro aquelas nossas noites passadas em frente à televisão, debaixo do cobertor, com o calor dos nossos corpos a fundir-se! Adoro aqueles dias em que acordas com "vontade" (riiiso) e ficas em casa o dia todo, comigo! Adoro aquelas visitas a países longínquos na tua companhia.... adoro aqueles nossos passeios pelo Portugal rural! Adoro o teu perfume Dolce & Gabbana! Adoro o teu sorriso, branco e fraternal! Adoro a tua barba branca...!


Adoro-te, meu amor.....!

E, agora, para aqueles que ainda não o conhecem...

Aqui fica uma foto .Chique do meu Viti (não a copiem para vocês.... riso!)


Com muito amor, Fifi.

(Beijos, darlings!)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Saudades .Chiques

Oi amores! Daqui Fifi!

Devo iniciar este post pedindo desde já mil chiques desculpas aos meus leitores. Sei que vos prometi a continuação da minha história, mas ainda não a postei. Desculpem queridos.

Continuando...

Resolvi escrever este post devido ao sentimento que me invade o coração saudavelmente .Chique que Deus me deu: Saudades, das minhas amigas chiques, Fafa e Ba.

Apesar de vós, chiques fãs do nosso blog, não saberem, eu, Lulu e os nossos respectivos maridos estamos neste momento numa missão em Timor-Leste, na cidade de Liquiçá, situada a mais ou menos 30 quilómetros de Díli, a capital do país. E, perguntam-se vocês chiquemente, qual é a missão? Eu, Fifi, vim para dar apoio às muitas famílias desalojadas. Ainda ontem distribuímos comida pela cidade, foi chiquemente .Encantador. Amei.

Encantadores são também as pessoas que aqui vivem. Simpáticas, humildes (e, infelizmente, pobres também), estas pessoas alegraram a minha vida. Quais idas ao teatro de duas em duas semanas, manicures, spas, festas e comidas caras - tudo o que preciso aqui para ser feliz é de uma garrafa de champanhe, música e saltos altos confortáveis. Todas as noites, um festival. (Já não me lembro de ter bebido tanto na minha vida... talvez no casamento da Fafa! Riso....)

Quanto à missão da Lulu, essa é outra: apanhar um bronze e conhecer pessoas novas. Pelo que vi ontem no mercado local, em que ela estava a ajudar uma mulher a vender fruta, .Chiquemente, ela está a consegui-lo.

Meu Deus, nem parece que estou num país de terceiro mundo. Estou a adorar, completamente. Porém, sinto saudades de Cascais, da minha rotina, do meu cão, das minhas amigas!

Bá e Fafa, não se preocupem, chegarei a Cascais na Quinta, penso que ainda a tempo do nosso habitual chá das cinco. Quero saber tudinho sobre as novas fofocas que povoam a cidade!

Beijo .Chique da Fifi, que vos adora!

Muah!

domingo, 29 de abril de 2007

O nosso regresso .Chique

Pois é, queridos, como leram no título do Post, regressamos hoje ao Blog!*

Falo pelas quatro quando digo que estamos felizes por regressar, e também vocês têm motivos para comemorar o nosso retorno...!

Pois bem, aposto que estão curiosíssimos por saber o que se tem passado ao longo destas semanas... não se preocupem, a Fifi conta sempre tudo, como de habitual.

A Fafa, e isto é uma confissão exclusiva para vocês, meus leitores, envolveu-se com um homem 10 anos mais novo que ela, de nome Rui. Cá entre nós, penso que não durará muito, sol de pouca dura. Penso que se fartará rápido dele... mas, vamos ver. (já me esquecia... ele é bem bonito, sim). Se o marido dela soubesse, meu Deus .Chique, iria ser a 3ª Guerra Mundial em Cascais.

A Lulu... a nossa mais recente amiga chique tem estado connosco muitas vezes, ultimamente. É agora habitual tomarmos todas o chá das cinco, enquanto falamos de assuntos actuais, de moda, dos nossos amigos e da vida em geral.... muito chique e sofisticado, queridos, como imaginam. Ela é chique, e simpática. Há uns dias, porém, fez um peeling e a sua cara está um caco un-chique.

Eu, Fifi, ando a tentar emagrecer. Sim, jóias, leram bem. Filipa Rodrigues, sempre em forma e actualizada, a fazer dieta. Infelizmente, exagerei e engordei um pouco (4 quilos) neste Inverno e, com o Verão a chegar e com ele as festas chiques por toda Cascais, tenho de me apresentar devidamente. Não se preocupem os meus fãs, pois eu não me esqueci que vocês ainda querem ler a 4ª parte da minha história... e estou a tratar disso!

A minha querida Bázita... bem, só sei que temos novidades excelentes para vós. Ela está bem, alegre. Porém, não direi mais nada... vou deixar que seja ela a dar-vos as novidades!

Pois bem, jóias... nós, as vossas quatro amigas, estamos cheias de novidades. Ainda temos de vos falar da nossa viagem chique, das nossas mais recentes aventuras, do nosso passado... enfim, um regresso em grande, como só nós podíamos fazer. Novas postagens, novas histórias, novas fofocas, novos acontecimentos... e tudo em primeira mão!

Beijos chiques da Fifi***

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Fase negra na nossa Vida .Chique

Oi queridos leitores...

Daqui hoje a Fifi a postar...

Pois, como sabem, temos uma nova amiga aqui a postar no Blog, da qual já tínhamos falado antes... a Lulu. Bem-vinda, querida, amei o post...

Escrevo este .Chique post para dizer-vos que as nossas vidas têm tido vários dramas, como podem ver ao ler os últimos posts da Bázita, pelo que não vamos voltar a postar como temos vindo chiquemente a fazer tão cedo, pelo menos enquanto a situação da Bá não estiver resolvida...

Bem... A Fafa tem estado ausente pois se viu envolvida numa aventura envolvendo um pedófilo e um conhecido seu... Aventura Un-.Chique...

E eu tenho estado a apoiar a nossa querida Bázita... A Lulu deve vir até aqui amanhã e estaremos as quatro juntas...

Despeço-me com os habituais beijos chiques...

Até breve...

Fifi...

quarta-feira, 28 de março de 2007

O meu dilema .Chique - Parte 3

Lurdes Rodrigues, minha mãe, sempre fora uma mulher honesta e dedicada à sua família. O meu pai, Mário Rodrigues, sempre fora trabalhador e um homem de valores. Mas ambos guardavam um segredo… Um segredo que permanecera assim até àquela data.

* * *

Não quis acreditar no que os meus olhos me mostravam. Não podia ser verdade. Simplesmente, não podia. Mas era… A pura verdade. Diante dos meus olhos. Mas… o que aconteceu, realmente? A Fifi conta-vos, não se preocupem.

A tarde iniciava-se calma. Provavelmente, muitos espanhóis un-chiques que imigraram para Portugal dormiam a sesta, deitados nos bancos ou nas relvas fortalecidas por fertilizante natural (leia-se cocó de cão) da cidade de Cascais, quando se deu o acontecimento que iniciaria a mudança da Fafa.

Aquilo que eu e a Bá vimos foi uma coisa extremamente chocante na época mas agora profundamente normal: duas mulheres aos beijos.
.Choque
E quem eram as duas mulheres?, perguntam-se vocês. Pois... eram a Fafa e uma rapariga da nossa turma, a Marta. Aos beijos, ali, entre os arbustos. Deitadas na relva. Felizes. Não acreditava.
Quando nos viram, foi como se vissem o Diabo un-chique. Levantaram-se e afastaram-se rapidamente, lembro-me precisamente como se estivesse a acontecer agora, e Marta saiu dali. Por seu lado, Fátima apanhou os cadernos que tinha na relva e levantou-se. Nem nos olhos nos olhos. Limitou-se a caminhar para dentro da escola, sem nos dirigir uma palavra. Estava, claramente, envergonhadíssima.

- Credo... Coitada. - disse a Bá.
- Estou em choque! - assenti eu. - Mas...
- Precisamos de falar com ela, sei lá... Penso que é uma coisa normal!
- Tão normal como eu tomar banho sem água. - respondi.

A tarde passou, lentamente. As aulas eram cansativas, e a matéria era difícil. Por vezes, eu e a Bá trocávamos olhares... Aqueles olhares a denunciarem que pensávamos na mesma coisa: naquilo que víramos depois do almoço. Então, num intervalo, deixamo-nos ficar na sala à espera da Fafa, com a intenção de falarmos com ela sobre aquilo. Os nossos colegas saíram, sedentos por minutos de diversão a comentar as roupas dos outros, e nós esperámos por ela, que nada mais fez do que pegar na pasta e sair da sala, ignorando-nos.

- Enfim... - disse eu.
- Vamos atrás dela. - disse a Bá, arrastando-me para fora da sala.

Corremos pelo corredor, de mãos dadas e com as nossas saias a balançar-se conforme os movimentos das nossas pernas. Olhámos em volta. Continuámos a correr. Parámos.

- Onde raio se meteu ela? - perguntou-me Bá.
- Ali! - gritei eu, histerica e un-chiquemente. - Na máquina dos sumos light! - olhámos as duas.

Caminhámos por entre a multidão de estudantes que falavam entre si sobre banalidades, como numa escola típica de Cascais, e aproximámo-nos de Fafa, que, depois de comprar o sumo e, vendo-nos, começava a fugir novamente.

- Espera! - disse eu.
- Precisámos de falar. - concordou a Bá.

Fafa olhou para nós, claramente envergonhada. Procurámos um sítio isolado onde pudéssemos falar calmamente as três, sem ninguém para nos interromper. Minutos depois, num compartimento da casa de banho das raparigas un-chiquemente degrada, olhávamo-nos. Foi a Bá a primeira a falar.

- Olha... não te preocupes. Nós compreendemos aquilo que vimos...
- Desculpa, mas não compreendem nada! - gritou a Fafa. - Uma rapariga com uma rapariga, onde já se viu isso?! Se quiserem, podem gozar comigo à vontade. Eu sei que é errado e mere...
- Fá, cala-te. - disse eu. - Nós somos tuas amigas, e, como a Bá disse, compreendemos.
- E aceitamos. - disse a Bá.
- Por isso, apoiamos a vossa relação a cem por cento.
- E guardamos segredo. - concordou a Bá.
- Credo, somos melhores amigas! Não tens nada que nos esconder, sabes disso!

Fafa começou a chorar e abraçou-nos às duas com uma força enorme.

- Obrigado, amigas! - gritou.

Nesse dia, só pude estar com Norberto ao final das aulas. Ele levou-me até casa de mãos dadas e limitámo-nos a apreciar a paisagem que nos rodeava. Eu, no entanto, vivia uma ilusão, como o descobriria mais cedo do que poderia imaginar...

À noite, jantei, silenciosa, e permaneci no quarto deitada na cama a observar as estrelas, pensando em tudo. Os meus pais não me disseram uma única palavra ao jantar, e continuavam a proibir-me de sair de casa sem ser para ir à escola. Definitivamente, a minha vida podia estar bem melhor. O céu estava belo, e calmo. Uma calma que a minha vida perdera uns dias antes. E ainda muita coisa faltava acontecer.

No dia seguinte, tivemos aulas apenas de manhã. Mas, como tínhamos combinado estudar juntas nas escola as três, fomos almoçar a um café ali da zona e, enquanto comíamos pizza e bebíamos sumo, conversávamos.

- Então, quem diria... A Fafa a meter-se nestas coisas. - disse eu.
- Vocês pensam que eu sou certinha... Mas vocês não conhecem o meu lado un-certinho.
- Credo, Fafa. - disse a Bá. - Que segredos escondes tu?
- Muitos. - disse a Fafa, e rimo-nos as três. Mal sabíamos que, apesar de ela estar a brincar quando disse aquilo, a vida lhe destinava algumas surpresas desagradáveis (as quais ela já contou na sua história).

Pagámos a conta e abandonámos o café. O dia estava solarengo. Continuámos a caminhar para a escola a conversar. Porém, uma mulher intromete-se no nosso caminho. Arminda, aquela mulher.

- Continuem. - disse eu.
- Tens a certeza? - perguntou a Bá.
- Tenho. - respondi.

E assim o fizeram. Aproximei-me dela e ela apenas me disse:

- Vem comigo, preciso de mostrar-te uma coisa.
- Mas vou ter aulas!
- Faltas.
- Não posso!
- É urgente.
- Não está a entender... os meus pais matam-me!
- Que matem. - disse, e puxou-me pelo braço. Caminhámos pela cidade durante quinze minutos, e parámos perto de uma casa velha.

- O que é isto? - perguntei.
- Não querias provas? - disse-me, e puxou-me para dentro de casa.

A casa era un-chiquemente decorada. Tinha mobília velha e havia pó por todo o lado. Caminhámos por um corredor até à sala e ela sentou-se no sofá.

- Senta-te também. - disse-me.
- Prefiro ficar de pé... - respondi, vendo uma barata no sofá ao lado.

Começou a mostrar-me fotografias de uma bebé e a falar, a contar a sua história. Já não me lembro direito como ela disse as coisas, mas falou muito. Segundo Arminda, ela era uma brasileira a tentar a sua sorte em Portugal quando me teve. Mas, era pobre. Tinha poucos estudos. E, além disso, estava no nosso país ilegalmente. Então, a única solução que arranjou antes de partir para o Brasil foi abandonar-me num convento.

- E como espera que acredite em tudo isso...? - perguntei.

Ela mostrou-me mais uns documentos e convenceu-me. Mostrou-me o meu registo de nascimento e... era verdade. Meu Deus, era verdade! Eu tinha sido adoptada... e a minha verdadeira mãe era uma mulher pobre, que vivia cá ilegalmente. Não. Os meus pais verdadeiros foram aqueles que me criaram. Sim. Lurdes e Mário Rodrigues, não uma mulherzinha qualquer que chegava ali e me contava aquelas histórias. Exactamente. O que eu estava ali a fazer, então? Apercebi-me naquele momento de que fora um engano ter vindo com aquela desconhecida.
Corri para a porta.

- Filipa, espera! - gritou ela.

Não olhei para trás. Corri o mais depressa que pude para a escola. Nas horas seguintes, procurei não pensar no assunto. No final das aulas do dia seguinte, eu e as outras duas conversávamos enquanto nos dirigíamos para a paragem de autocarro.

- Então, Bá, como vai o tratamento? - perguntou Fafa.
- Vai bem... amanhã vou novamente ao hospital, de manhã...
- E tu, Fifi, como vai a tua relação com o Pascoal?
- Não lhe chames isso! - gritei. - Odeio esse nome!
- Okay, okay... Estava só a brincar! - respondeu ela.
- Mas diz lá, como vai. - continuou Bá.
- Bem... ficámos de nos encontrar logo para estudar. - respondi. - Então e tu e a Marta?
- Estamos bem. Estivemos juntas há bocado, às quatro.

E assim continuámos. Depois de sair do autocarro, caminhei um pouco até chegar ao meu prédio. À porta, encontrei Norberto.

- Olá. - disse eu.
- Olá. - respondeu ele.

Olhei em volta. Estávamos só nos os dois ali. Era seguro. Beijei-o. E entrámos. Enquanto estudávamos Matemática, um pouco depois, Norberto começou a agir de forma... estranha. Sim, estranha. Começou a deixar os estudos de lado e a focar a sua atenção em mim... sempre a colocar a sua mão nas minhas pernas, sempre a dizer coisinhas pirosas.

- Viemos aqui para estudar ou para estar na marmelada? - perguntei.
- Sempre podemos fazer uma pausa...
- Podemos. - disse e ri-me.

Deitamo-nos sobre a cama e começámos a beijar-nos. Aquilo estava a ficar intenso. A certa altura, ele tentou tirar-me a camisola e aí apercebi-me de que tinha ido longe de mais. Puxei a camisola para baixo, e ele tentou puxá-la novamente.

- Pára. - disse eu.
- Que foi?
- Estamos a ir longe de mais... não achas?
- Desculpa? Eu acho que não. Não me digas que queres ir virgem para o casamento!
- Não me sinto preparada...

Norberto começou a beijar-me o pescoço, novamente. - Claro que sentes. - disse ele.
- Não, pára! - gritei.

Mas ele continuou. E eu vi-me forçada a esbofeteá-lo.
Fi-lo.
Norberto afastou-se e levantou-se.

- Que raio de namorada és tu que nem queres sexo comigo? - perguntou, e abandonou o quarto.

Fechei a porta do quarto à chave e envolvi-me nos lençóis, olhando o céu. Ai, como estava calmo... Sentia-me culpada pelo que acontecera. Norberto conseguira isso. Estava triste. Recostei-me sobre a almofada e fiquei assim deitada por muito tempo... Como gostava da sensação, do isolamento... Ingenuamente pensando que as minhas dores de cabeça e preocupações se ficariam por ali.
* * *

Uma homenagem .Chique

Oi gente chique que visita o nosso Blog!!

Hoje eu, Fifi, venho aqui escrever este .Chique post devido a uma coisa que aconteceu com um nosso leitor, de nome Flávio Gonçalves, e pretendo mostrar a nossa solidariedade para com ele.

Ontem à noite, estava eu aqui no meu computador portátil a adiantar a 3a parte da minha confissão de nome "Dilema .Chique" e a falar com as outras duas, quando a Fafa nos diz para visitarmos o blog de um nosso leitor, www.flaviosworld.blogspot.com. Aborrecida, fi-lo.

Então, comecei a ler o penúltimo post e, à medida que lia, não consegui conter as lágrimas. Porquê? Porque ele falava da morte do seu avô, que se deu no fim de semana que passou. E, ao ler aquilo, lembrei-me de uma coisa similar que se passou com uma tia minha, há 2 anos, e de como sofri aquando da sua morte.

A chorar, abri novamente a janela da conversação com a Bá e a Fafa e falámos sobre o assunto. A Bá estava também a chorar. A Fafa deu então a ideia para este post, e disse que deveríamos também falar sobre temas mais sérios, por vezes. Como ela disse no seu primeiro post, achamos imprescindível partilhar tudo convosco.

Bem, Flávio, queremos que você saiba que estamos aqui para o que precisar e que nos tocou com a sua confissão deveras .Chique. As melhoras...

Beijinho das três,

Fafa, Bá e Fifi

quinta-feira, 22 de março de 2007

O meu dilema .Chique - Parte 2

Todos aqueles que conheceram Fátima Carreira durante a sua adolescência (no fim dela, para ser mais exacta), vos dirão que houve um ano em que a sua personalidade se modificou bastante, indo desde a rapariga mais ingénua da nossa turma até àquilo que seria a Fafa que nós conhecemos hoje, apenas com um pouco de rugas a menos. Sim, porque nem sempre “.Chique” fez parte do seu ADN.Esse ano começou exactamente em Fevereiro de 1987, há vinte anos atrás, portanto. Mas o que despoletou essa série de mudanças foi um acontecimento de que falarei mais à frente.

.16 de Fevereiro de 1987

Dormira mal durante a noite, lembro-me. Na minha cabeça, os eventos que se deram no dia anterior repetiam-se continuamente. Teria amanhecido há cerca de quinze minutos quando a minha mãe irrompeu pelo quarto, dizendo:


- Fifi, levanta-te e veste-te. Já sabes, vais para a escola e quero-te aqui às 2:00 da tarde.


Era o preço a pagar pela minha fuga do dia anterior, não poder sair ao fim das aulas com as amigas, durante um mês. A ideia preocupava-me um pouco, mas decidi não fazer muito caso e entrei para o chuveiro, onde pude esquecer as minhas incertezas. Quem seria aquela mulher un-fashion que me chamara de filha? Porque é que o meu Pai chique me proibira de ir à escola e me aplicara tal castigo por desobedecer? O que estaria a passar-se com Fafa? Como se sentiria Bárbara Mello, agora com cancro nos ovários? Veria Norberto naquele dia?, Rodei a torneira, fechando a água, e tomei o pequeno-almoço.


Os meus chiques pais já tinham saído de casa. Um cheiro insuportável pairava no ar. Um cheiro horrível. Desloquei-me à procura da origem daquele cheiro, um cheiro a… fezes. O meu pai esquecera-se de puxar o autoclismo chique. Fi-lo, enojada, e corri para apanhar o autocarro.

Naquele dia, o autocarro ia quase vazio. Nem Fafa nem Bá estavam lá. Reflecti no que me dissera meu pai na noite anterior. Achei melhor não os pôr a par do episódio un-fashion que sucedera à tarde, na entrada da escola: tesouros, ficaria um ano de castigo, sabia-o. Nessa manhã, no autocarro, as minhas suspeitas aumentaram. Logo depois de ouvir uma conversa estranhíssima sobre uma mulher que desconhecia e me queria ver, aparece aquela pessoa a chamar-me de filha. Estava baralhadíssima. Tanto que adormeci durante a viagem para a escola.


Senti algo a abanar o meu corpo, enquanto acordei vagarosamente, ainda me recordo.


- Adormeceu aqui, jovem. – dissera-me o motorista.- Credo. – disse, e saí dali o mais depressa possível, envergonhada.


Corri por entre a multidão de pessoas que percorriam os passeios, apressadas, e atravessei algumas ruas chiques até chegar à escola. Perto da portaria, hesitei, para recuperar o fôlego, e olhei em volta. O dia estava cinzento, que maçada. Subi as escadas da entrada discretamente, a caminho da sala, por fim.

A primeira aula passou rapidamente. Depois de tocar, reparei que Fafa saiu da sala apressadamente. Ia perguntar-lhe onde ia, mas, em vez disso, esperei que todos saíssem da sala e fiquei a sós com Bárbara, que estava sentada ao fundo da sala. Sentei-me perto dela.


- Calma, Bá. Vai tudo resolver-se, só tens de ter calma. E sabes que eu e a Fafa estamos aqui, sempre.
- Pois, eu sei… Mas, eu tenho cancro… Meu Deus! Tenho 19 anos e tenho cancro…! – disse ela, e desatou a chorar.
- Calma… - disse, sem saber o que proferir.
- Como queres que tenha calma? Se o tratamento resultar e eu sobreviver, é muito provável que nem possa ter filhos!

.Choque
Mais nada disse. Abracei-me a ela e assim ficámos, até a campainha soar. Fafa voltou despenteada, e isso preocupou-me.

- Passa-se alguma coisa, Fá? – perguntei.
- Não… Porque perguntas?
- Porque, sei lá, tens estado distante ultimamente.
- Pois… Tenho dormido pouquérrimo, credo.
- Pouquérrimo? Isso existe, sequer? – perguntei, mas o professor irrompeu pela porta adentro, obrigando-nos a suspender a conversa.


Nesse dia, só vi Norberto no segundo intervalo da manhã.Ao fim da aula, depois de pedir à Fafa que ficasse ali com Bá, a fazer-lhe companhia e a apoiá-la, enfim, como amiga chique que ela era, fui à procura de Norberto. Percorri a escola, atravessei o mar de alunos. Quando já perdia esperança, eis que esbarro com ele, junto das casas de banho.

- Bom-dia.
- Bom-dia. – respondi.

Escondidos na casa de banho dos rapazes, num compartimento sujo, passámos o resto do intervalo a namorar, como se de duas lésbicas se tratassem – ou gays, visto que era na casa de banho masculina –, até que a campainha tocou e nos separámos.


- Vemo-nos logo?
- Se estiver destinado, sim. Mas, muito provavelmente, não. – respondi.
Norberto riu-se. – E amanhã?
- A mesma coisa, mas há mais probabilidades.
- Ainda bem.
- Até amanhã. – respondi.
- Até amanhã. Amo-te.


A aula seguinte passou vagarosamente. A professora, lembro-me perfeitamente, era chata – e anã também. Estava ela a escrever no quadro, enquanto alguns alunos diziam piadas em voz baixa sobre o seu tamanho, quando uma funcionária bate à porta. Depois de um curto diálogo com a funcionária, a professora volta-se e diz:

- Filipa Rodrigues, alguém a quer ver urgentemente. Autorizo-a a abandonar a aula, mas despache-se.

“Credo”, pensei eu. “Credo .Chique, quem seria?”Saí da sala e percorri os corredores da escola, acompanhada pela funcionária. Quando vi quem me esperava, quase voltei para trás.


* * *


A mesma mulher do dia anterior, que me chamara de filha, esperava-me. Aproximei-me dela, e a mulher disse-me que queria falar comigo.


- Posso saber o motivo de tanta insistência? – perguntei.
- Minha filha…- Pare de me chamar filha!
- Mas eu sou tua mãe…
- Desculpe, eu tenho uma mãe – chama-se Lurdes Rodrigues. Você é uma desconhecida.
- Acredita, não sou desconhecida nenhuma. – disse ela, com o seu sotaque brasileiro, levantando a camisola. – Tu saíste deste ventre!
- Então prove-o. – disse, em jeito de brincadeira.
- Queres provas?
- Sim.
- Então vais tê-las. Voltaremos a ver-nos. – disse, e afastou-se.
- Como se chama? – gritei eu. – Diga-me isso, pelo menos.
- Arminda Terra. – respondeu, e afastou-se, desaparecendo.


Arminda… Terra? Imaginem como fiquei. Minutos depois, voltei para a aula, ainda a processar tudo o que se passara. Provas? Arminda Terra? Minha mãe? Entrei na sala, e procurei não pensar no assunto. Porém, pouco depois, antes do final da aula, pensei “Então se aquela mulher for mesmo minha mãe, os meus pais adoptaram-me”.
.Choque.
Reflecti melhor. Não poderia confiar numa desconhecida. Pelo menos não agora, tão precocemente. E eis que tive uma ideia para o que fazer.

As aulas tinham terminado há minutos, faltava pouco para as 2 horas da tarde. Eu, Fafa e Bá fazíamos o habitual percurso escola – paragem do autocarro, um pouco silenciosas. Normalmente, eram passeios repletos de gargalhadas, fofocas e conversas animadas entre três adolescentes muito amigas, mas não naquele dia. Estávamos enclausuradas nos nossos pensamentos. E assim continuámos até ao fim.

- Meu Deus, que horror. – disse eu, quando cheguei a casa.


À noite, eu e os meus pais chiques jantávamos juntos. O ambiente estava silencioso, inquietante. Eu, nervosa, comia devagar. Os meus pais falavam ocasionalmente, sobre trabalho. Até que decidi que tinha de falar.

- Quem é… Arminda Terra? – perguntei, hesitante.

Foi então que o meu pai, que comia uma chique cocha de frango, tossiu. E tossiu novamente. Aflito, ficava vermelho do pescoço para cima, como um tomate podre. Eis que, no meio da aflição, me apercebo de que se estava a engasgar com o osso do animal.

- Pai!
- Filipa, chama uma ambulância! – gritou a minha mãe, batendo nas costas do meu pai.- Jesus! – gritei, e chamei uma ambulância.


No hospital, eu e a minha mãe esperávamos por notícias, sentadas numa sala apinhada de gente. Idosos, ciganos, pessoas un-chiques – de tudo um pouco, e eu estava lá no meio, com as narinas entupidas devido ao cheiro a suor que pairava no ar. Olhei para a minha mãe, que parecia nervosa. Não sabia o que fazer. Olhei em volta, e perguntei-lhe:


- Mas… Quem é… Arminda Terra?
- Cala-te ou ainda levas aqui. – gritou a minha mãe. – Já bastou o teu pai se engasgar.
- Credo.
- Cala-te com o credo!

Dias depois, no final do almoço num café chique, eu e a Bá (que começara a fazer tratamento), caminhávamos até à escola. O dia estava solarengo, agradável. Continuámos a percorrer as ruas cheias de gente, até à escola. Quando lá chegávamos, apanhei o maior choque da minha vida até ali.

- Fátima! – gritei.

* * *