segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Mais flores .Chiques!!!

Olá, chiques!
A Fifi poupou-me trabalho, pelo que li, de relatar a chegada da querida Sílvia. Ela é um pouco excêntrica, sim, mas é uma rapariga querida. Gosta de animais, como eu, e é insegura.
Bem, deixando de falar nela, voltemos ao assunto do meu último post. Tenho novidades:
Hoje recebi outro ramo, de forma esquisita também. Recebi uma encomenda em casa, assinei, abri. O que era? Uma garrafa de champagne! O homem da entrega fugiu un-chiquemente logo depois de eu assinar... continua a ser a pessoa mistério. Guardei a garrafa. Sentei-me, bebi um café, e não resisti a ir buscar a garrafa outra vez! E que bem que fui, porque dei conta que no seu fundo continha um autocolante com a palavra "cama". De imediato corri para a minha cama, olhei e não vi nada. Remexi tudo e nada vi. Não... não ia un-chiquemente tocar com os meus joelhos no chão e espreitar por baixo da minha cama... ou ia. Baixei-me, olhei e vi o chão repleto de rosas cor-de-rosa! Parecia um lindo tapete... Deitei-me no chão e rastejei até às rosas, procurando mais um cartão. Procurei, procurei, e encontrei. Saí de baixo da cama, e bah, estava cheia de pó. A minha empregada vai ver... quando a apanhar...!
Sentei-me na cama, abri o mini-envelope e li "na Torre". Hum, torre? Que vago...! Há tantas torres. Mas esta pessoa estará numa torre. Mas quando? Qual? Porque estará lá? Deverei lá ir?
Bem, que dilema chique / un-chique. Mas, não vou fazer nada. Esperarei pelo próximo cartão.

Falando outra vez da Sílvia, eu encontrei um teste de gravidez na mala dela. Esperemos que não esteja grávida, senão vai ser complicado.

Enfim, beijos chiques!

Despedida

Olá meus queridos!

Encontro-me nas Bahamas! Chiquee!

Peço desculpa desta minha ausência mas deve-se ao facto de eu estar com imensos problemas, un.chiques!

Tudo começou quando eu ia a sair de casa e deparei-me com uma coisa, como é que se diz na vossa linguagem, hum, um pedinte, incrivelmente un.chique!

Ele queria levar a minha mala Louis Viton, comprada nas férias passadas em York. Mas lá dentro eu tinha um caché altíssimo pois ia depositar no banco para enviar à minha querida filha, felizmente o Sr. Carlos Madeira dos Santos veio em meu socorro e afastou aquela coisa de mim. Este Sr. Carlos é um homem adorável, gerente da Massimo Dutti e claro, vem de famílias numerosas.

No dia seguinte fui ao Holmes Place ter a minha prestigiosa aula de Ioga, mas tinha-me esquecido das minhas sapatilhas D&G no carro, então liguei logo ao Matos (meu motorista) para me trazer as coisas, mas este estava no hospital pois tinha tido um acidente. Coitado, partiu duas costelas e um braço. Tenho pena do moço, mas também com a gorjeta que lhe deixei já dá para recuperar desse trauma.

Que mais hei-de contar!?

A minha filhota quer adoptar uma child lá com a sua namorada. Espero que tenham o bom gosto e bom senso de escolher uma child bonita, chique e parecida aqui com a vóvó Lulu Vasconcelos! Poderia se chamar Fifi Vasconcelos em honra da minha amável amiga Chique!

Estão como imaginam a netinha da vossa Lulu? Child chiqueee! Só roupinhas como as das socialites! Colégios particulares pois assim pode evitar o contacto com aquelas parasitas un.chiques, se é que me percebem!

Enfim.

Como disse aqui no início, estou nas Bahamas pois decidi esquecer-me um pouco dos meus problemas un.chiques e vim fazer um cruzeiro. Quando a viajem estava quase no fim conheci o dono deste chique Iate onde estava instalada e começamos a jantar e a ter conversas mas ‘callientes’ Entretanto ele fez-me um convite para ser a sua companheira de viagens. No início fiquei seriamente com dúvidas pois não iria estar tão presente na vida das minhas amigas chiques (única coisa que cá me prendia devido ao seu grau de importância), mas coloquei a minha felicidade em 1º lugar. Sempre adorei viagens e conhecer novos Mundos. Fico triste de não poder estar tantas vezes com as chiques mas sei que eles ficam bem entregues entre si. Tenho imensas saudades dos nossos chás das 5 e espero que um dia possamos continuar com eles, até lá, deixarei de cá escrever pois acho que este espacinho já não me pertence (ponderei bem e não voltarei com a palavra atrás).

Beijinho na face direita e muitas felicidades (lágrimas).

Com muita saudade,

Lulu Vasconcelos

Uma ida .Chique ao Supermercado

Olá .Chiques leitores! Daqui Fifi, excitadíssima e com algumas novidades para vos relatar! Pois bem, hoje de manhã, acordei a cheirar o hálito .Chique do meu marido, o Viti, que me olhava ternamente.

- Que estás a fazer? - pergunto.
- Nada, só a olhar para ti.
- Logo vamos jantar fora, certo?
- Claro. - disse-me ele, e depois de uns beijos (calorosos, uff), desci as escadas da minha mansão até à cozinha. Tomava o pequeno-almoço quando recebo uma chamada de uma das minhas empregadas, a dizer que estava doente e que não viria ao trabalho. Resultado: tinha eu de ir, pela primeira vez em 10-15 anos ao supermercado. Escusado será dizer que a ideia por si só me trouxe lágrimas aos olhos.

- Que se passa? - Viti descia as escadas.
- Vou ter que ir às compras! - berrei.
- É melhor despachares-te, o leite acabou. - disse-me ele, friamente.

Meia-hora depois, conduzia .Chiquemente por Cascais. Chovia. Estacionei perto do supermercado e, confiante, enxuguei as lágrimas. "Eu consigo", dizia para mim, enquanto pegava no carrinho-das-compras.

- Quer ajuda? - perguntou uma funcionária.
- Tenho ar de quem quer ajuda?! - berrei, e corri com chiquesa para a secção dos frescos.

Louca, selvagem, olhei para a lista de compras e apressei-me a enfiar as coisas para o carrinho, sem olhar a preços. Quando cheguei à caixa, minutos depois, o carrinho abarrotava. A funcionária, jovem e carregada de maquilhagem, ficou felicíssima ao ver aquilo.
- São 140 euros. - disse ela, a sorrir, e aí reparei: tinha-me esquecido da carteira em casa.

.Choque: que iria fazer? Olhei em volta, desesperada. Remexi os bolsos.
- Precisa de ajuda? - perguntou uma voz masculina, grossa, atrás de mim. Voltei-me e eis que vejo o veterinário que nos ajudara há dias, com o ConiPiçi.
- Olá... - disse, estranha e .Un-chiquemente nervosa.
- Senhora? - disse a funcionária, interrompendo a nossa troca de olhares.
- Pois... esqueci-me da carteira em casa...!
- Não faz mal, eu pago. - disse ele. - E dou-lhe boleia, pode ser?
Agradeci e sorri, pensando nos motivos que o levavam a ser tão gentil para comigo. Fomos, no carro dele, até minha casa (eu depois vou buscar o meu, mais logo). Durante a viagem, falámos .Chiquemente de mim, da zona onde eu morava, dele. Descobri que somos vizinhos (ele mora em Cascais e toda a gente sabe que em Cascais todos nos tratamos como vizinhos que somos) e que ele aprecia muito música clássica, como eu. Quando chegámos a casa, ajudou-me a levar as compras lá dentro. Ofereci-lhe um café, coisa que ele recusou.

- Preferia ir tomar um consigo mais logo à noite. - disse ele, fazendo-me corar. - Que me diz?
Eu, claro, fiquei sem reacção. Um homem, mais novo, vintão, a convidar-me a sair? Adultério, comigo? Não, claro, ia recusar, quando ele diz: - Não precisa de responder agora. Aqui está o meu número. - disse, e escreveu-o num papel. - Ligue-me, sim?

Saiu de casa e aqui estou eu, confusa. Claro que não lhe vou ligar, vou antes dar o número à Fafa, ela de certeza que vai adorar a ideia! Bem, vou mas é arranjar-me, um jantar romântico com o Viti espera-me!

Beijos!!

domingo, 18 de novembro de 2007

Townsend: o novo Bar .Chique

Boa-noite, cariocas! Sim, sou eu, a vossa .Chique mais atrevida do país, Fafa Carreira! Estava eu a suspirar por não ter um lugar .Chique e .Fashion para eu e as minhas amigas Ba e Fifi irmos até que, quando vejo no correio um folheto cor púrpura, como eu adoro, a noticiar a abertura de um novo bar / pub: Townsend. E qual era a tagline?, perguntam-se vocês. "Todos os chiques vêm parar a Townsend". Amei, simplesmente. Vou ver se eu hoje à noite vou com a Bá, a Fifi, e aquela cadela domesticada, Sílvia, para lá. Engatarei alguém, prometo! Agora vá, beijo com .Glamour para toda a cidade de Cascais (e os meus leitores, obviamente).

sábado, 17 de novembro de 2007

Uma Adolescente Asiaticamente .Un-Chique

Eu, Fifi, nem sei como a Bá se esqueceu de referir pessoa mais insólita que acabou de chegar (inesperadamente) às nossas vidas, no seu post de hoje. O seu nome é Sílvia Monteiro e revelou-se, de facto, uma criatura, além de .Un-chique, muitíssimo adolescente e problemática.
Provavelmente, já a conhecem devido ao seu blog. A sua mentalidade, do ponto de vista .Chique que sempre adopto, é rude e imprevisível. A sua maquilhagem? Irritantemente colorida. Pois bem, deixem-me começar pelo início.

1- A Chegada

A Bá havia-nos contado, há dias, a mais recente loucura do seu filho: querer ir estudar para a peçonhenta cidade do Porto (que romances adolescentes eu vivi lá, devo mencionar). E não é que ele levou a ideia avante? Sim, chiques leitores, levou. E, para isso, trocou de casas com uma desconhecida, desesperado por não ter dinheiro para pagar a renda (rejeitou o dinheiro da mãe, coisa que fez a Bá chorar durante uma noite inteira, em minha casa). Essa desconhecida, como soubemos ontem, era afinal a asiática Sílvia, que chegou aqui carregada de malas previamente compradas na feira, num comboio empestado de gente suada (lá não me apanhavam, nem .Morta, como imaginam). A pedido da Bá, eu e Fafa fomos lá recebê-la, sujeitando as nossas roupas engomadas pelas nossas empregadas ao pó e ao lixo existentes na central de comboios, que mais parecia ser situada na lixeira de Cascais.

Estávamos nós as três, sentadas de perna cruzada, num dos bancos, com os óculos-de-sol .Chiquemente postos, apesar de já ser noite, quando o comboio chega e, imediatamente, uma cambada de gente (ou, direi, animais?) sai do meio de transporte, atropelando-se. É então que ouvimos um berro: "Kunichiwa??! ConiPiçi????????????!!"
Olhámos, assustadas, para o lado e vimos uma asiática a olhar para o chão, onde um gato malhado jazia, esmagado por uma das suas malas. Ela apressou-se a ajudá-lo, contudo, ao fazê-lo, deixou cair o resto das malas, uma delas caindo em cima do animal. "Ajudem-me!", berrou, e a Bá não se demorou a chamar o 112.

Apesar dos esforços do veterinário (atraente, vintão, sexy), o animal não sobreviveu. Foi na clínica que pudemos apreciar melhor Sílvia, enquanto esperávamos notícias sobre o estado do animal. Ela estava sempre a andar às voltas, a ouvir músicas como "Music is My Hot, Hot Sex" (apenas a identificámos pois a Bá disse que o seu filho ouvia muito), "Stars Are Blind", enfim, lixo adolescente que nós, .Chiques, recusamos ouvir; os seus braços estavam cheios de pulseiras; a sua roupa, além de sugestiva, estava suja, marcada pelo suor. Credo, pensam vocês. Socorro!, berrou Sílvia ao saber que o seu gato tinha falecido. Depois dos choros habituais, levámo-la para casa da Bá, onde as quatro ficámos a noite a conversar.

2- As Confusões

Nessa noite, ninguém dormiu. Excepto, claro, a Fafa, que encontrámos, às 4 e meia da manhã, meia-hora depois de ela dizer que ia buscar vinho ao frigorífico, na cozinha, enroscada com o cão da Bá e a fumar um cigarro.
- Fá?
- Oi Sexy. Bá, o teu cão... Meu Deus .Chiquérrimo!
- Kunichiwa? Swminy? - dizia Sílvia. Não me perguntem o significado de tais palavras, pois desconheço.
- O que fizeste tu ao meu cão?? - berrava Bá, aterrorizada.
- Calma, ó sua pobretanas! Apenas dizia que ele é um bom ouvinte, adorou as minhas confissões sexuais.
- Já bebeste demais. - disse eu, e levei-a para longe do pobre animal, que parecia perturbado.
Minutos depois, a Sílvia decidiu dirigir-se à casa-de-banho, pois estava, e citando-a, "quase a explodir". Estávamos as três a comentar sobre ela quando ouvimos um grito estridente e feminino do andar de cima. Corremos para lá e encontrámos, no corredor, o marido de Bá nu, em frente a Sílvia, aterrorizada.
- António? Que fazes assim, a estas horas? - perguntou a Bá.
- Vinha à casa-de-banho e encontrei esta aqui... Desculpa, amor.
Sílvia, fragilizada por ver pela primeira vez o orgão reprodutor masculino (segundo me contou horas depois), em circunstâncias tão dramáticas, fugiu como uma lebre para o exterior da casa. Corremos atrás dela, gritando palavras que desconhecíamos, supostamente pertencentes ao dicionário da língua japonesa. E eis que a ouvir "Sexwá", ela parou.


3- A Mudança De Casa

Passámos mais algumas horas na casa de Bá, a ajudar Sílvia a instalar-se. Ela lá ficou. Hoje de manhã, quando fui ao quarto dela, encontrei o seu gato num frasco.
- É para nunca me esquecer dele. - disse-nos Sílvia.
Bem, o certo é que esta jovem tem algo de estranho... Espero que a Bá não se arrependa de a receber em casa. Tenho a ligeira e .Chique impressão de que sim, contudo.

Beijos Fifi's!

Mistério .Chique

Um olá cheio de mistério.
Sim, o mistério paira no ar. Porque? A Bá conta:

Hoje dei folga aos meus empregados, o meu marido está em Londres, estava sozinha em casa. O que resolvi fazer? Dormir até às tantas chiques. Mas o meu sono foi interrompido por uma enorme pedra que me partiu o vidro da janela do meu quarto. Com um grito levantei-me da cama e escondi-me no armário. O que seria?? Estariam a assaltar-me un-chiquemente a casa?? Não, eu não ia ficar ali parada... sou uma chique mulher ou um rato? Abri a porta do armário, com uma cruzeta na mão e, pé ante pé, aproximei-me da janela. Ao olhar para o chão, repleto de vidros pequenos, reparei que não tinha sido só uma pedra a entrar no meu quarto... mas um lindo e enorme ramo de flores também. Rosas vermelhas, as minhas preferidas. Eram 41 rosas, eu tenho 41 anos. Quem mas atirou bruscamente para o quarto sabia algumas coisas sobre mim... Isto foi excitantemente aterrador.
Fechei as persianas, não se fossem lembrar de atirar mais alguma coisa (desta vez mais perigosa) e sentei-me na cama. O que havia para fazer? Nada. Não tinha pistas, apenas num ramo.
Já que não havia nada para fazer, fui até à cozinha e pus o ramo em água, para não murchar. Retirei o papel e... um bilhete caiu na banca. Peguei nele e li:

1
Estarei
"Estarei"? Mas quem é que envia um bilhete num ramo de flores, ainda por cima de maneira esquisita, com coisas sem sentido? "Estarei" não me diz nada...
Bem, esperarei pelo próximo sinal, porque com certeza que isto tem continuação... estarei deve ser só o inicio de uma frase. Ou quem sabe, algo mais.
Vamos lá ver, chiquemente.

Um beijo chique,

A minha aventura .Chique (Terceira - Mas não Última - Parte)

Antes de terminar esta confissão .Chique, queria agradecer a todos os leitores sem grana, como os cariocas proferem, a todos os visitantes deste espaço, do hi5, a todos os simpáticos que adicionam no messenger, a todos que me enviam mail a pedir mais partes desta confissão. Temo que seja a peúltima, tentei recordar-me de todos os pormenores para vocês precisamente gostarem. Um beijo .Glamouroso para todos.

* * *
.A minha tia

A minha tia chique chamava-se Helena, era a mais nova das três irmãs da parte maternal. Eu admirava-a tanto. Escrevia romances eróticos dos mais deslumbrantes que podiam haver e adorava dançar. Morava na parte alta de Madrid, repleta de Glamour, digo-vos. Sempre que ela voltava para Cascais, nem que fosse por uma semana, falar com ela sempre me dava um enorme prazer. A decisão do meu pai, chocante e precipitante só começou a ter reacções no dia seguinte. Os empregados riam-se quando passavam pelo meu quarto na manhã. Estava escondida debaixo dos lençóis, sem querer aparecer.

Então, totalmente despenteada, senti um peso na cama. Comecei a pontapear o peso, deveria ser um peluche que tinha caído do tecto.

- Estás-me a magoar, querida. - Era a minha tia Helena.
- Tia!

Saí de baixo dos lençóis molhada de tanto chorar com os olhos inchados. Precisava de alguém para abraçar e assim o fez. Tia e sobrinha abraçaram-se na cama desfeita. Um momento tão íntimo, tão jovial, tão... chique.

- Que foste fazer, Fá? - Vocês querem alguém mais elegante?
- Tia, eu não queria!
- Conta-me tudo...
- Foi a Luiza que me obrigou a ir a um pub horrendo e un-chique, e depois veio um daqueles homens que parecem ursos tocar-me! Ele levou-me até o carro e pronto... - Menti.

Mentir sempre me dava um nó na garganta e Helena já sabia disso e sorriu para mim.

- Sou a tua confidente. Conta-me tudo que eu guardarei segredo.

E lá lhe contei. Não era exagerado dizer, assim, que ela era a minha tia favorita.

***
.O dia da Partida

Nos dias que se seguiram atemorizava-me a ideia do aborto, achava un-chique e muito constrangedor. Mal olhava para a minha família, sobretudo para a minha irmã Luíza que parecera muito desiludida comigo (talvez por ter transado, como dizem os cariocas, mais cedo do que ela esperava). Mas pouco me importei também. Quem precisa de irmãs quando se tem um mínimo de Fashion? Mas vi que esse mínimo ia desaparecer, porque quem faz um aborto, li numa revista, perde o sentido de chiquesa mais cedo do que esperam. Estava tão assolada.

A semana passou, no dia da partida estava eu a arrumar as minhas cinco malas de pele de leopardo para a viagem quando suspirei. A minha irmã Luiza olhava-me na porta. Quando me apercebi de tal feito tentei controlar-me, e respirei fundo, numa lufada de ar chique.

- Que fazes aqui? - Perguntei.
- Ai, Fá... admiro só o que vai ser o meu quarto.

Choquei-me. A minha irmã tinha um quarto dez centímetros mais pequeno do que o meu, como podia ela dizer tamanha estupidez? Numa semana, o mais tarde, voltaria a Cascais!

- Perdoa-me? - Interroguei.
- Sim. Minha querida, achas mesmo que depois de tirares o teu filho dessa coisa repugnante vais voltar para o Glamour de Cascais?
- Tenho a certeza!

Desconhecia esta faceta de Lu. Como podia ela estar a ser tão lambisgóia?

- Pois bem, nem tentes voltar, aviso-te. - Dizia ela caminhando em passos de uma quarentona, sabem?, como sou eu, actualmente.
- Sua...!

Selvagem. É o que designa o meu comportamento na altura. Como uma gorila, saltei-lhe em cima, comecei-lhe a puxar os cabelos e dei-lhe um estalo. Luiza retribuiu com beliscões nos meus seios, oh, como doía!

Naquele preciso momento uma empregada un-chique passou pelo corredor, olhou e pôs a mão à boca de tanto se rir.

- Ó Gertrudes, anda cá ver isto! - Chamou.

Gertrudes, com o aspirador na mão, veio ao corredor e riu-se alto com aquela empregadita de baixo nível.

As duas empregadas chegaram ao chão, imaginem, ao chão da minha casa!, a soltar gargalhadas rodeadas de um hálito que só Deus sabe onde se formou. Entretanto, a minha irmã continuava a agir como uma macaca e eu a imita-la. Mas que vergonha tenho eu de estar aqui deitada na minha cama a escrever isto, a lembrar-me quão ignóbil estava a ser.

Quando as duas empregaditas se levantaram, houve uma que foi a correr a chamar pelo senhor Gregório, meu pai. Não tardou que este viesse com a minha mãe e a minha tia.

Que humilhação! Queria parar, é uma certeza chique, mas não podia, não podia deixar-me vencer por aquela ratazana do esgoto que se dizia minha irmã. É que, sabem?, quem dá a última estalada é a que ganha. E estão-me a ver com cara de un-chique perdedora? Três letras, uma palavra: não.

Eu e a minha irmã ficamos paradas, agarrando os cabelos de uma e outra, enquanto que, com lágrimas a teimarem sujar a maquilhagem, via a minha tia Helena chocada e desiludida.

- Tia...

Mas eis que, com a tristeza a voar como borboletas nos corações da família, Luíza arranca-me o coral de pérolas.

- Sua...!

Macaca. O animal que estava a ser. Belisquei-lhe o mamilo, saltei para cima da sua barriga e comecei a esganar a minha própria irmã. O meu pai, furibundo, em passos gigantes e altos, aproximou-se.

- FÁTIMA! - Gritou. Gritou com um grito poderoso. Gritou de tal maneira que ficaram todos como que petrificados. Gritou.

Ele tinha afastado cada uma e, caída no chão, olhei para as pérolas espalhadas pelo chão. Porquê sofrer mais, perguntei-me?
Levantei-me, penteei-me. Peguei no baton guardado na minha mala e pintei os lábios. Com todos de boca aberta, saí do quarto e desci as escadas da casa, enquanto a minha tia me seguia. Já com a porta aberta saí da minha residência e, antes de entrar no carro, olhei em volta (um bonito dia de sol; um bonito jardineiro a "brincar", como os un-chiques dizem, com uma empregada da cozinha atrás dos arbustos; uma galinha a voar do telhado) e, respirando fundo, disse:

- Adeus, Cascais.

***
.Despedidas

Estava na estação de comboios com a minha tia, desanimada mas confiante de que tudo iria correr bem. Sentada na cadeira, com as pernas entrecruzadas, esperava que o comboio chegasse.

- Olhó télémóble! - Gritou um muçulmano que se dirigia para minha pessoa.
- Credo, senhor.
- Num é credo! É té... repita comeigo... té-lé...
- Poupe-me.

Cheirava mal. É naquele momento que avisto duas silhuetas, elegantes, esbeltas. Bá. Fifi.

- Querida! - Gritaram em uníssono as minhas duas melhores amigas enquanto corriam para me dar um abraço. A minha tia olhou de lado.
- Darlings! - Berrei, histérica e abracei-as com lágrimas nos olhos.

Naqueles minutos passei o tempo a falar com elas, enquanto que o muçulmano un-chique nos olhava, atento. Parecia um daqueles, credo, que nos vai cuspir a qualquer momento na nossa cara tratada.

O comboio tinha chegado e tivemo-nos de despedir.

- Bá. Fifi.
- Fafa.

E choramos as três, prometendo que nunca nos separaríamos. Quando o senhor que chamava os passageiros já batia com o pé no chão eu e a minha tia entramos no comboio onde os fedorentos se dirigiam para o lado esquerdo e os chiques, para o direito. Fui, obviamente, para o direito.

Na janela via Bá e Fifi de mãos dadas a chorar, e eu esbocei um sorriso forçado, para elas não se sentirem tristes. Mas estava despedaçada por dentro.

Sentei-me, de pernas cruzadas, e já o comboio andava a uma velocidade un-chique e olhava a minha vida a passar-me à frente. Literalmente.

Joaquim estava a dizer-me adeus, do lado de fora.

***
.Terror

Após o choque passar, não sabia eu que um maior estava para vir. Quem leu os jornais do dia seguinte pode confirma-lo. Estava a passar pelo norte de Évora, onde a Natureza predominava. Do lado de fora corriam bois, vacas, galinhas, enfim, un-chiques animais. Também se viam várias montanhas onde agora pessoas denominadas como "Pastores" caminhavam pelas flores.

- Enfim...

Mas eis que o inesperado acontece! Tão rápido como um copo de cristal a partir-se, o comboio para esganiçadamente, ouço berros do outro lado do compartimento; a minha tia acorda sobressaltada; vejo uma galinha na janela.

- Socorro! - Grito.

O caos. Os un-chiques entraram assustados na minha carruagem, os chiques abrem os guarda-chuva para afasta-los. Se fosse melhor, diria que estávamos em pleno ambiente da terceira guerra mundial. Então o comboio parou.

- Saiam todos. Já! - Ordenou o motorista suadamente un-.Chique que avizinhava um acidente de comboio que ia contra uma carruagem de animais de quinta.

A minha tia, assustada, correu para a porta em andamento e saltou, com a saia a saltar-lhe como a .Chique da Monroe. Mas o seu destino não seria tão .Chique. Morreria ela?! Como iria sobreviver? Saltava também ou deixava embater com as galinhas?! .Terror